Collor preso: Cortina de fumaça ou justiça tardia?

 

Por que prender Fernando Collor de Mello agora?
Essa foi a pergunta que pipocou nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp e até nos bastidores da política de Brasília. A resposta veio rápida para alguns, óbvia para outros, e desconcertante para os que ainda acreditam em justiça imparcial.

Na última semana, Alexandre de Moraes determinou a prisão do ex-presidente Fernando Collor de Mello. A justificativa? A condenação por corrupção no esquema da BR Distribuidora, investigado na época da Operação Lava Jato. Mas quem acompanha os bastidores do poder sabe que, muitas vezes, o momento de uma prisão diz mais do que os motivos dela.


O relógio político de Moraes

Collor não é inocente. Desde o confisco das poupanças em 1990, sua imagem pública já estava manchada. Muitos brasileiros jamais esqueceram o trauma. Teve gente que tirou a própria vida após ver seus sonhos confiscados. Collor entrou para a história não apenas como o primeiro presidente eleito por voto direto pós-ditadura, mas como o primeiro a sofrer impeachment.

Mas por que agora?

Esse é o ponto. Não é sobre a culpa — que há — mas sobre o timing. Moraes decidiu prender Collor no auge de um escândalo que vem corroendo o governo: o escândalo do INSS. Um rombo que revela descontos indevidos, desvio de recursos públicos, e a participação de sindicatos aliados ao Planalto. Um esquema que pode se tornar a nova Lava Jato… só que em tempos de redes sociais e desgaste acelerado.

Então, repetimos: por que agora?


A fórmula do desvio de foco

A estratégia é conhecida: quando a situação aperta de um lado, cria-se uma manchete do outro. Como desviar os holofotes do escândalo no INSS? Prendendo alguém grande. Alguém que o povo não vai defender. Alguém como Collor.

Alexandre de Moraes usou de uma decisão monocrática — ou seja, individual — para mandar prender o ex-presidente. Uma decisão que, curiosamente, ainda precisa ser confirmada pelo plenário. Se fosse tão urgente, por que não esperar o colegiado?

Mas a resposta parece estar no noticiário do dia. No mesmo momento em que o Jornal Nacional quebrava o silêncio e revelava o aumento absurdo dos descontos ilegais no INSS, Moraes soltava a bomba: Collor vai para a cadeia.

Coincidência? Ou cortina de fumaça?


Justiça seletiva ou símbolo de impunidade?

É evidente que Collor não é inocente. A questão aqui não é defendê-lo. É perguntar: por que Lula teve suas condenações anuladas e Collor, não?

Enquanto o líder petista goza de uma liberdade plena, com direito a voltar à presidência da República, Collor — que também estava envolvido em escândalos — não recebeu o mesmo "alívio" jurídico. Qual o critério? Qual o padrão?

A verdade que poucos têm coragem de dizer é que a justiça brasileira não é cega — ela enxerga exatamente quem deve proteger e quem deve punir. E, nesse caso, a punição de Collor soa mais como uma jogada de tabuleiro, do que como um ato de justiça imparcial.


O rastro do INSS e o desespero do Planalto

O escândalo no INSS não é novo, mas se tornou insustentável. Descontos ilegais de aposentados para entidades ligadas a sindicatos. Uma máquina de desvio de dinheiro operando debaixo do nariz do governo. E, claro, com a participação de aliados históricos do PT.

O problema é que a Polícia Federal não parou onde deveria. Ao investigar entidades de fachada, acabou batendo de frente com sindicatos poderosos. E é aí que tudo degringolou. O que era para ser uma operação discreta virou uma bomba nas mãos do governo.

E o pior: o povo percebeu.

O que fazer quando o escândalo pode sangrar o governo até 2026?
Criar outra narrativa. Mudar o foco. Jogar o Collor no ventilador.


A aliança PT-STF: coincidência ou coligação?

É preciso ser direto: o Brasil hoje não é governado apenas pelo PT. Há uma simbiose evidente entre o Planalto e o STF. Uma relação que ultrapassa os limites dos Três Poderes e se mistura num jogo político onde as decisões judiciais têm mais impacto eleitoral do que as campanhas.

Quantas vezes Moraes interveio em questões políticas nos últimos anos?
Desde a censura de perfis, até a citação de Bolsonaro na UTI — um gesto tão absurdo que fere até as normas processuais mais básicas. Tudo indica que o ministro tem ultrapassado seu papel de guardião da Constituição para assumir o de jogador político de primeira linha.

Mas como todo jogador que se move demais no tabuleiro… ele pode acabar cercado.


Collor: um símbolo ainda forte em Brasília

Muitos pensam que Collor é carta fora do baralho. Um ex-presidente do passado. Mas quem conhece Brasília sabe que ele ainda tem poder real. Ele se reelegeu senador por décadas. Tem aliados. Tem acordos. Tem favores acumulados.

E quem tem favores, tem poder.

Prendê-lo agora é mais do que um gesto simbólico. É comprar briga com um grupo inteiro. E Moraes tem comprado muitas brigas. Com políticos, empresários, imprensa alternativa, e até com setores do próprio Judiciário.

Até onde ele aguenta?


A conta vai chegar?

Toda ação tem reação. E no xadrez da política, movimentos mal calculados cobram preço alto. Alexandre de Moraes pode ter tirado Collor de cena. Mas isso pode acionar uma rede de retaliações silenciosas. Gente que ainda é influente, que está no Senado, nos bastidores, nos partidos. Gente que pode começar a reagir.

A pergunta é: quanto tempo Moraes ainda tem de fôlego?
Ele, que antes era visto como um técnico jurídico, agora age como articulador político. Mas parece ter se esquecido de que a política é uma arte de alianças, não de imposições.


A estratégia da distração: até quando?

Este não é o primeiro movimento de distração. E talvez não seja o último. A tentativa de jogar a opinião pública contra Collor é legítima, considerando sua história. Mas não apaga a motivação real por trás: abafar o escândalo do INSS.

Mesmo o Jornal Nacional — que costuma blindar o governo — teve que noticiar o aumento de fraudes. E mais: revelou que os descontos ilegais começaram a crescer em 2023 e explodiram em 2024. Ou seja, o problema nasceu e cresceu dentro do atual governo.


A pacificação que pode melar

O plano da aliança PT-STF sempre foi claro: condenar Bolsonaro, depois promover uma “anistia” geral — incluindo petistas — em nome da pacificação. Mas isso só funcionaria com Lula forte. E o escândalo do INSS pode mudar tudo.

Com Lula sangrando, a correlação de forças muda. A anistia pode ser enterrada. E com ela, o plano de Moraes também.

A prisão de Collor, então, não é apenas sobre justiça. É uma jogada desesperada para tentar salvar uma narrativa em ruínas.


Para onde vamos?

Diante de tudo isso, fica uma pergunta que não quer calar:

Até quando o Brasil será governado por distrações?

A prisão de Collor pode até trazer algum alívio para quem ainda carrega mágoas dos anos 90. Mas não apaga o que está diante dos nossos olhos hoje: uma tentativa clara de manipular a narrativa pública, de esconder escândalos com manchetes barulhentas e de jogar com a inteligência do povo brasileiro.

A cada movimento assim, cresce a sensação de que nada mudou de verdade. A corrupção continua. Os jogos de poder seguem. E o povo… ainda paga a conta.

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