Como Lula Está Fazendo a Campanha Eleitoral às Custas do Bolso do Povo


Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta reerguer sua popularidade com discursos inflamados e promessas de reconstrução nacional, um grupo segue pagando a conta sem ver retorno: a classe média. E o pior é que o governo não só está ciente disso como insiste em mantê-la sob pressão, mesmo com índices eleitorais apontando para uma possível vitória de Michelle Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas em 2026.


Uma das últimas medidas tomadas pelo Executivo foi o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que vai atingir diretamente famílias que fazem transferências internacionais, viajam ao exterior, compram produtos online em sites estrangeiros — e até empresas que dependem de crédito para manter operações. O objetivo do Planalto é claro: elevar a arrecadação em R$ 20 bilhões neste ano, ajudando a fechar as contas públicas previstas no Orçamento de 2025.


Só que, na prática, quem vai sentir na pele esse ajuste fiscal é justamente quem já vive espremido entre impostos altos, inflação persistente e acesso limitado a programas sociais. A classe média, mais uma vez, sai perdendo.


O IOF Que Virou Arma Contra Quem Trabalha e Investe

O aumento do IOF incide sobre operações no exterior, empréstimos corporativos e seguros. Parece algo técnico, mas seu impacto é profundo. Famílias que têm filhos estudando fora do país, por exemplo, vão enfrentar custos maiores nas mensalidades escolares, e empresários que precisam de financiamento vão pagar juros mais altos.


Tatiana Migiyama, especialista em Gestão Tributária pela Fipecafi, alerta:


“A classe média, que mais depende de crédito, de serviços financeiros e de algum grau de inserção no mercado internacional, sentirá o impacto direto.” 


Ela destaca ainda outro ponto crucial: multinacionais podem começar a repensar investimentos no Brasil, especialmente diante de um cenário onde o governo insiste em taxar repatriação de lucros, o que torna o país menos atrativo para empresas estrangeiras.


Já Renato Nunes, professor da FGV-SP, afirma que o aumento se espalhará por toda a economia:


“Apesar de o aumento [do IOF] se referir de forma mais significativa à tomada de recursos por pessoa jurídica, isso acaba compondo o custo de produtos, o custo de serviços e, no final da linha, na formação de preço.” 


Em outras palavras: se você tem empresa, vai pagar mais caro para financiar. Se você consome, vai pagar mais pelos produtos. Se você viaja, estuda ou compra online, vai pagar mais caro também.


O Custo Oculto: Quando o Governo Silenciosamente Penaliza o Trabalhador Formal

Outra medida recente do governo foi o decreto que ampliou a tarifa social de energia elétrica, zerando a conta de luz de famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa e consumo abaixo de 80 kWh/mês. A promessa é aliviar 60 milhões de brasileiros, com descontos para outros 40 milhões.


Mas, como sempre, o alívio não é gratuito. O custo de R$ 3,6 bilhões por ano será repassado para quem consome entre 150 e 300 kWh/mês — basicamente, a classe média e pequenas empresas — e pode levar a aumento de até 1,4% na tarifa média de energia.


Tatiana Migiyama resume com clareza:


“Até lá, quem segura a fatura é, mais uma vez, a classe média e o setor produtivo.” 


Isso porque os benefícios chegarão apenas em 2026 para empresas menores e só em 2027 para residências, enquanto o aumento imediato dos custos já começa a ser sentido agora.


O Aceno que Não Engana Ninguém: Isenção do IR para Renda Baixa

Diante da crítica crescente, o governo lançou uma proposta simbólica: isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, com alíquotas progressivas para quem recebe até R$ 7 mil.


Na teoria, parece uma concessão. Na prática, ela sequer abrange toda a classe média, considerando que o Ipea define essa camada da população como aquela com renda familiar entre R$ 1.640 e R$ 6.560 mensais.


Especialistas chamam a atenção para um detalhe óbvio: enquanto os mais ricos conseguem driblar a carga tributária com planejamento patrimonial e offshore, e os mais pobres são amparados por programas como Bolsa Família, Vale-Gás e Tarifa Social de Energia, quem realmente sente o peso das políticas fiscais é a classe média.


Renato Nunes, da FGV, explica:


“A classe média não tem nem a mesma capacidade de absorção das classes altas, nem conta com as redes de proteção das camadas mais pobres. Por isso, sofre mais diretamente com o encarecimento do crédito e outros custos repassados ao consumidor.” 


O Jogo Eleitoral: Priorizar o Pobre Para Garantir Voto

Para Fernando Schuler, cientista político do Insper, a lógica do governo é clara: priorizar grupos numericamente maiores, mesmo que economicamente mais vulneráveis, para garantir voto majoritário em 2026.


“O governo não tem como alvo agradar a classe média, tem como alvo o público de baixa renda, que é numericamente mais expressivo no Brasil.” 


Essa estratégia eleitoral explica por que Lula continua apostando em subsídios energéticos, aumento de servidores e expansão do Bolsa Família, enquanto ignora os efeitos colaterais para quem trabalha formalmente e paga imposto regularmente.


O problema é que esse modelo está começando a falhar. Pesquisas mostram que mesmo beneficiários do Bolsa Família estão duvidando da gestão lulista, e parte da base tradicional petista está se voltando contra o presidente.


A Guerra Fiscal Entre Lula e a Classe Média

O Brasil assiste a um movimento silencioso, mas extremamente eficaz: o governo está distanciando-se da classe média, que sustenta o país com trabalho formal, consumo e pagamento de impostos, para fortalecer políticas voltadas a grupos menores, mas politicamente influentes.


O aumento do IOF, a isenção seletiva do Imposto de Renda e a política de energia elétrica mostram que o foco eleitoral é claro, e que a classe média seguirá sobrecarregada.


E, ironicamente, quanto mais o governo tenta manipular a narrativa eleitoral, mais ele perde força perante o eleitorado. Pesquisas mostram empate técnico com Bolsonaro, derrota para Michelle e até empate com Tarcísio — um sinal de alerta para o PT.


Se nada mudar, a polarização volta com força total em 2026, e Lula terá que conviver com o paradoxo de seu próprio projeto: quer reconstruir o país, mas só consegue prejudicar quem produz.


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