Sóstenes Cavalcante, Flávio Dino e o Jogo do Orçamento

O Início da Disputa – Uma Ameaça que Mexe com o Coração do Governo


Em 2016, o Brasil assistiu ao impeachment de Dilma Rousseff. Em 2022, vimos uma nova eleição presidencial decidida em Brasília. E agora, em 2025, vivemos mais um capítulo da crise política brasileira — mas dessa vez, o conflito não está no Palácio do Planalto ou nas ruas. Ele está dentro do Congresso Nacional, entre partidos aliados e rivais, onde o jogo do orçamento virou moeda de troca.

No centro desse confronto, temos dois nomes:


Sóstines Cavalcante , líder do PL na Câmara dos Deputados, partido com a maior bancada do país.

Flávio Dino , ministro da Justiça, ex-governador do Maranhão, e figura central no esforço do governo para conter a pressão parlamentar.

A briga começou quando Sóstines, usando sua posição estratégica como líder do maior bloco da Casa, ameaçou bloquear o orçamento da Câmara caso o presidente da Casa, Hugo Mota, não cumprisse um acordo prévio sobre distribuição de comissões-chave. Um desses cargos era a Comissão de Relações Exteriores , disputada pelo PL e considerada crucial para moldar a agenda internacional da oposição.


Mas por que isso mexeu tanto com o governo?

Porque o orçamento da Câmara é uma das poucas ferramentas reais de barganha que restaram aos parlamentares. Se o PL decidir segurar esse recurso, nada avança em Brasília. Nem projetos sociais, nem agendas ambientalistas, nem mesmo os gastos com segurança nacional.


Será que essa batalha vai definir se Lula sobrevive até 2026?


A Imunidade Parlamentar – O Escudo que Protege ou o Fardo que Divisora?


Sóstines Cavalcante não só fez a ameaça — ele foi além. Disse publicamente que não tinha obrigação nenhuma de prestar contas a Flávio Dino. Baseado no artigo 53 da Constituição Federal, ele lembrou que deputados são imunes por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato. Nenhum juiz, nenhum ministro, nem mesmo o próprio presidente pode interferir nesse direito.


Dino, por sua vez, não aceitou calado. Ele pediu explicações sobre as ações de Cavalcante, questionando se ameaças de paralisia legislativa podem ser vistas como abuso de poder ou até crime contra o patrimônio público. Mas a resposta foi clara:


“Eu não tenho que explicar nada a você.” 


E isso colocou fogo no sistema. Porque, para o PT, essa postura mostrou que o Congresso está fora de controle. Para o centrão e outros setores independentes, ela revelou que a única forma de conter o STF é usar os próprios mecanismos legais à disposição dos parlamentares.


Quantos de vocês já viram um político usar seu cargo para cobrar respeito?

Quantos já viram alguém ser punido por isso?


O Golpe Fiscal – Como o PL Controla o Fluxo de Dinheiro Público


O PL, sob liderança de Sóstines, controla diretamente duas comissões centrais:


Comissão Mista do Orçamento (CMO)

Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC)

Essas posições permitem que o partido decida quem recebe recursos, quanto cada área pode gastar, e quem fica sem verba alguma. É um poder silencioso, mas brutalmente eficaz.


Quando Hugo Mota rompeu o acordo com o PL, ele sabia que corria riscos.

Mas será que imaginou que um simples desentendimento poderia travar todo o orçamento da Câmara?


A verdade é que, sem o apoio do PL, nenhuma emenda importante passa.

Sem o aval do maior partido da oposição, governadores do Nordeste e do Norte ficam sem verbas essenciais.

E pior:

Se o PL decidir redirecionar recursos para outras áreas, até mesmo ministros do STF podem sentir o impacto.


Isso explica por que Flávio Dino entrou na discussão.

Ele não podia permitir que um único partido definisse o ritmo do governo.

E muito menos queria que Lula dependesse de um grupo tão distante de seus ideais.


O Papel de Flávio Dino – Entre a Lealdade ao Governo e a Ambição Política


Flávio Dino entrou nessa história com força. Ele exigiu que Sóstines prestasse contas de suas ações, sugerindo que usar o orçamento como arma política ultrapassava limites constitucionais. Mas havia algo por trás disso: Dino não está apenas protegendo o governo. Ele está se posicionando para 2026.


Há meses, Dino vem tentando consolidar sua imagem como "salvador da democracia", "defensor do Estado de Direito" e "crítico do bolsonarismo radical". No entanto, ele enfrenta resistência.

Na última pesquisa Datafolha, ele mal alcança 8% de intenção de voto.

E no cenário eleitoral atual, ninguém acredita que ele possa derrotar Lula ou Bolsonaro.


Então, qual é seu plano?

Unir forças com o STF.

Buscar alianças com Alexandre de Moraes.

E criar um ambiente onde qualquer crítica ao Judiciário seja tratada como ameaça institucional.


Mas será que isso vai funcionar?

Ou será que ele está subestimando a força do parlamento?


O Desespero do PT – Quando a Esquerda Admite Derrota Antes da Batalha Acabar


Dentro do PT, o clima é de alerta.

Membros do partido já admitem, nos bastidores, que Lula não tem força real para governar.

Sua popularidade caiu abaixo de 30%.

Seu plano econômico não surtiu efeito.

E, pior:

Ele não consegue manter alianças firmes.


A solução óbvia seria buscar apoio no centrão.

Mas isso significa negociar com o PL, com o União Brasil, com o Novo.

Significa dar espaço a figuras como Arthur Lira, Davi Alcolumbre e até Eduardo Bolsonaro , que hoje vive nos EUA, mas mantém influência decisiva em Brasília.


E aí entra a jogada de Sóstines.

Ao ameaçar o orçamento, ele mostra que mesmo sem estar no Executivo, ainda define o rumo do país.

E isso assusta o PT.

Porque se o Congresso pode derrubar o governo com um simples ajuste orçamentário, o poder real não está no Planalto — está em Brasília.


O Medo de Perder Controle – Quando o PT Começa a Temer o Próprio Aliado


Dentro do partido, a percepção cresce: o centrão não está mais sob domínio.

Governadores do Nordeste, outrora fiéis ao PT, começam a flertar com o bolsonarismo.

E até membros do PSB e do PDT estão repensando sua aliança com o Palácio do Planalto.


A resposta?

Mais judicialização.

Mais ameaças.

Mais tentativas de criar um clima de medo para que ninguém ouse sair da linha.


Mas Dino percebeu algo:

O STF não tem mais tanto poder assim.

A Espanha negou extradição de Eduardo Bolsonaro.

Os EUA começam a questionar a legalidade das ações do tribunal.

E até a Globo News reconheceu que o Brasil caminha para um modelo autoritário se nada mudar.


A Nova Estratégia do STF – Judicializar Tudo, Mesmo Fora do Jurídico


Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) observa tudo de perto.

E, claro, já está preparando sua jogada.

Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news, não descarta investigar movimentos recentes de Sóstines , inclusive sua atuação no orçamento.


A justificativa?


“Qualquer ato que ameace a ordem institucional pode ser interpretado como golpe.” 


Isso soa familiar?

Para quem acompanhou o processo de Daniel Silveira, sim.

Um deputado federal foi condenado a 14 anos por criticar o STF.

Débora Rodrigues levou 1 ano e 6 meses por pichar uma estátua.

E agora, Sóstines pode ser investigado por simplesmente usar seu cargo para pressionar o governo.


Exemplo direto ao público:

Imagine você, vereador ou prefeito, tentando aprovar uma emenda municipal.

Agora imagine que, por discordar de uma decisão estadual, você seja investigado por "ameaça à ordem institucional".

É isso que está em jogo.


O Passo Errado do Governo – Quando a Pressão Vira Isolamento


A aposta inicial do PT era clara:


“Vamos usar o STF para controlar o Congresso.” 


Só que o plano falhou.

O PL, mesmo com todos os escândalos, mantém sua base sólida.

O centrão, cansado de promessas vazias, prefere seguir com Bolsonaro.

E até o MDB, historicamente alinhado ao PT, começa a romper acordos tácitos.


Agora, o governo corre atrás.

Dino tenta convencer o Congresso de que o orçamento precisa ser liberado.

Mas ele não tem como pagar o preço.

Não há cargos suficientes.

Não há verbas extras.

E pior:

Até o Banco Master, vinculado à família de Moraes, está sendo investigado pelo BC.


A Resposta do PL – Bloqueios, Ameaças e uma Nova Forma de Governar


O PL, por sua vez, não recua.

Soustinhes Cavalcante deixou claro:


“Nós temos o poder do orçamento. Se não houver respeito, vamos travar tudo.” 


E ele não está sozinho.

Outros parlamentares do partido estão estudando como ampliar a pressão sobre o governo , especialmente nas pastas de saúde, educação e infraestrutura.

Se o dinheiro público não for bem aplicado, o PL pode vetar até mesmo a continuidade de programas federais.


E isso inclui o INSS, que continua travado desde o início do ano.

Inclui os Correios, que enfrentam greves constantes.

E inclui a Previdência, onde milhões de brasileiros esperam filas intermináveis para conseguir aposentar-se.


Se o PL realmente parar de liberar verbas, quem pagará o preço será você, contribuinte.

Menos investimento público.

Mais inflação.

Mais desemprego.


A Nova Linha Vermelha – Quando Críticas Viram Motivo de Investigação


Daniel Silveira foi preso por escrever uma crítica.

Allan dos Santos, dono do Terça Livre , foi investigado por publicar fatos reais.

E Eduardo Bolsonaro teve seu nome incluído no inquérito, mesmo sem estar fisicamente no país.


E agora, Sóstines pode ser o próximo alvo.

Tudo por usar sua posição parlamentar para pressionar o governo a cumprir acordos.

E por isso, o STF pode abrir um novo inquérito para enquadrá-lo.


O Futuro Incerto – O Que Vai Definir 2026?


Este não é apenas um debate sobre orçamento.

É sobre quem decide o destino do Brasil : o povo, através do voto, ou o STF, através de decisões monocráticas?


A resposta virá das urnas.

Mas até lá, o país continuará mergulhado em crises , onde a cada semana surge um novo inquérito, uma nova investigação, uma nova prisão preventiva sem provas.


E o que vemos é uma coisa clara:

O STF não tem mais o controle absoluto.

O Congresso está se organizando.

E o povo, cansado de tanta manipulação , começa a entender que liberdade de expressão não é crime.

E que ameaçar com prisão por discordância política é uma prática digna de ditadura.


Conclusão – O Brasil Está no Limite da Democracia ou no Rastro da Autoridade?


Este não é um caso isolado.

É parte de uma guerra maior, onde o STF tenta se manter relevante , enquanto o Congresso tenta recuperar sua autonomia.


Soustinhes Cavalcante, com sua postura firme, representa a resistência do parlamento.

Flávio Dino, com sua ânsia por controle, simboliza o desespero do PT em manter o poder.

E o povo?

O povo assiste perplexo, pagando impostos, sofrendo com inflação e vendo seu dinheiro sumir em obras nunca entregues.


A pergunta final é essa:

Até quando o STF vai agir como se fosse legislador?

Até quando o Congresso vai aceitar ordens de um tribunal politizado?

E até quando o povo vai tolerar que seus representantes sejam presos por discordar do sistema?


A resposta não está nos gabinetes de Brasília.

Está nas ruas.

Está nas urnas.

E, principalmente, está na sua escolha.


Porque se você acredita em liberdade, em transparência e em justiça, não pode ficar de braços cruzados.

E se não acredita, precisa entender que o próximo alvo pode ser você.

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