Câmara Vai Declarar Fim do Mandato de Carla Zambelli, Diz Hugo Motta


O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou nesta segunda-feira que vai seguir as regras internas da Casa para oficializar a perda do mandato da deputada federal Carla Zambelli.


A decisão foi tomada depois que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Zambelli a 10 anos de prisão , além da perda do cargo político e pagamento de uma multa de R$ 2 milhões , por envolvimento na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, em 2023.


“Quando o Supremo conclui o julgamento, não cabe ao presidente da Câmara colocar isso em votação. A decisão judicial precisa ser cumprida”, disse Motta durante um evento promovido pelo jornal Valor Econômico , em São Paulo. Ele espera receber a notificação oficial do STF sobre a condenação definitiva da parlamentar, o que deve acontecer nos próximos dias.


Zambelli deixou o Brasil antes da decisão final

Na semana anterior à condenação, Carla Zambelli anunciou que havia deixado o país, primeiro indo aos Estados Unidos e depois viajando para a Itália. Ela afirma que está sendo perseguida politicamente e chamou a decisão do STF de “ilegal, inconstitucional e autoritária”.


O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, ordenou a prisão preventiva de Zambelli e solicitou a extradição dela, caso ela seja encontrada em outro país. Além disso, abriu um novo inquérito para investigar se ela teria atrapalhado as investigações ou pressionado testemunhas durante o processo.


Durante o evento, Motta comentou que o caso é fora do comum e que não há muitos exemplos parecidos na história da Câmara:

“Ela recebeu a sentença e resolveu sair do Brasil. Acho que foi porque tem cidadania italiana e achou que lá poderia evitar o cumprimento da pena.”


Licença concedida antes da condenação

No dia 5 deste mês, Motta autorizou uma licença médica de Zambelli por sete dias, seguida de mais 120 dias para tratar de assuntos pessoais. O objetivo era permitir que seu suplente, o deputado Coronel Tadeu, assumisse o cargo enquanto o caso era decidido no STF.


“Nós demos essa licença até para que o suplente pudesse entrar no lugar e a gente acompanhasse o andamento do processo sem prejudicar o funcionamento da Câmara”, explicou Motta.


Hacker também foi condenado

Além de Zambelli, o hacker Walter Delgatti Neto , acusado de executar a invasão ao sistema do CNJ a mando da deputada, também foi condenado. Ele pegou 8 anos e 3 meses de prisão e também deve pagar parte da multa de R$ 2 milhões.


Os advogados dele alegaram que Delgatti agiu motivado por promessas de recompensas financeiras e até chances de emprego oferecidas pela parlamentar.


O caso de Carla Zambelli entra numa fase decisiva, com a Câmara pronta para declarar o fim do mandato dela após a condenação pelo Supremo Tribunal Federal. Sua saída do país antes da decisão final gerou críticas e dúvidas sobre o real motivo de sua viagem. Enquanto isso, o presidente da Câmara, Hugo Motta, garante que vai cumprir o rito legal e seguir a determinação da Justiça. Para os brasileiros comuns, a situação mostra como decisões políticas podem se misturar com o sistema judiciário, criando um cenário complexo e cheio de debates sobre ética, responsabilidade e o limite entre política e justiça.

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