Durante anos, o nome Alexandre de Moraes foi quase sinônimo de poder incontestável dentro do Supremo Tribunal Federal. Sua atuação firme — para alguns, autoritária — colocava-o como figura central nas grandes decisões do país. Mas algo inédito aconteceu nos últimos dias: ele, que antes parecia blindado pelas câmeras e colunas de opinião, virou alvo de uma verdadeira tempestade midiática. E dessa vez, não foram pequenos blogs ou canais alternativos que apontaram o dedo.
Foi a grande imprensa.
E aqui, meu amigo, começa uma história que você precisa acompanhar até o fim. Porque o que aconteceu nos bastidores do Judiciário e nos editoriais dos maiores jornais do país pode mudar, e muito, a percepção sobre os limites do poder no Brasil.
O Estopim Vem de Fora: The Economist e o Despertar Constrangido
Tudo começou com uma publicação que pegou fogo como gasolina em palha seca: um editorial da respeitada revista The Economist, detonando o STF — e em especial, Moraes. Quando um observador estrangeiro, sem interesse político direto, aponta o dedo para a nossa Justiça, algo muda no cenário nacional. A máscara escorrega. E foi exatamente o que aconteceu.
A partir dali, a imprensa brasileira parece ter se olhado no espelho e pensado: “será que ainda dá tempo de recuperar a credibilidade?”
Sim, porque quando até os de fora veem abusos, fingir que está tudo bem se torna uma vergonha internacional. E vergonha vende jornal. Assim, o que parecia impossível até pouco tempo se concretizou: críticas duras e abertas ao ministro mais temido do Supremo.
Mas por que agora? E o que isso revela sobre o estado atual da nossa democracia?
Eduardo Oineg e a Primeira Pancada Pública
A abertura simbólica desse “linchamento midiático” veio de forma clara e contundente, ao vivo, pela Band News. Eduardo Oineg não economizou:
“Será que a gente não corre o risco de criar dois Brasis? Um, onde Moraes faz o que quer, e outro, onde as pessoas fazem o que Moraes deixa?”
Essa pergunta, além de forte, é simbólica.
Quantos brasileiros já não sentiram isso na pele? Que existe um país para os comuns — e outro para os ungidos?
Ali, na TV aberta, Oineg verbalizou o que muitos já murmuravam nos bastidores. A dúvida sobre o real alcance do poder de Moraes — e até onde ele deveria ir — finalmente ganhava voz na grande mídia.
Mas isso era só o começo.
Estadão e o Editorial Que Chama o Ministro de “Mercurial”
Em seguida, veio o editorial do Estadão, com um título que, por si só, já é um soco no estômago: "Picuinha perigosa". Nele, o jornal descreve o comportamento do ministro como temperamental, reativo, desprovido de bom senso.
“O bom senso costuma levar uma surra quando o ministro do STF, Alexandre de Moraes, se irrita com algo ou alguém que o contrarie.”
Uma frase como essa publicada em um dos veículos mais tradicionais do país não é pouca coisa. É um rompimento simbólico. É como se dissessem: “até aqui, tudo bem, mas agora você foi longe demais”.
Mas o que levou o Estadão a esse ponto?
Tudo gira em torno de uma decisão polêmica: a suspensão do processo de extradição do traficante búlgaro Vasil Vazilev, em retaliação à Espanha por não extraditar Oswaldo Eustáquio, blogueiro bolsonarista.
O Estadão não perdoou:
“Ao colocar o caso do blogueiro no mesmo patamar de um traficante de drogas, Moraes rebaixou o debate jurídico entre Brasil e Espanha e prestou um desserviço à imagem do STF.”
E aqui entra a ironia: o jornal ainda se preocupa com a imagem do Supremo. Mas será que essa imagem ainda tem algo a ser salvo?
A Imagem do Supremo Já Se Dissolveu?
É nesse ponto que o artigo ganha camadas mais profundas. O povo brasileiro, em sua maioria, já não deposita confiança plena no STF há anos. Pesquisas de opinião mostram queda contínua na credibilidade da Corte, muito antes de Moraes assumir o protagonismo dos inquéritos e das decisões polêmicas.
Então, quando o Estadão fala em “imagem desgastada”, a pergunta que fica é: imagem para quem? Para o público que já não respeita mais a instituição, ou para a própria elite jornalística que demorou a abrir os olhos?
Há um abismo entre os corredores de Brasília e a realidade vivida pelas pessoas nas ruas.
A Possibilidade de Fuga e o Risco Diplomático
O editorial ainda alerta para algo mais grave: a possibilidade concreta do traficante foragido fugir, agora que está em prisão domiciliar.
“Se isso acontecer, será uma humilhação para o poder judiciário brasileiro e uma derrota para o sistema de persecução criminal da Espanha.”
E aqui a reflexão é inevitável: até onde vai o ego de um ministro? É aceitável colocar em risco a segurança pública e as relações diplomáticas com um país europeu por causa de um impasse com um blogueiro?
A linha entre justiça e vingança é tênue. E quando quem deveria equilibrar essa balança age com impulsos pessoais, quem nos protege do protetor?
Quando o Excepcional Vira Regra
Um dos trechos mais significativos do editorial traz uma crítica ainda mais profunda:
“O momento excepcional que talvez justificasse medidas excepcionais já passou faz tempo.”
Mas aqui, um ponto importante precisa ser trazido à luz: esse “momento excepcional” de fato existiu?
Muitos críticos — inclusive o próprio autor do vídeo — argumentam que não. Que desde 2019, com o inquérito das fake news, o STF vem esticando os limites do que é constitucional, sem que haja respaldo real ou circunstância emergencial que justifique tais atos.
A perseguição a procuradores da Lava Jato, a censura à Crusoé, as investigações ampliadas sem provocação do Ministério Público… tudo isso já acontecia antes de 8 de janeiro.
Então, será que não estamos vivendo, há anos, um “estado de exceção disfarçado”?
O Que a Imprensa Está Dizendo, Na Verdade
No fundo, o que o Estadão e outros veículos estão dizendo é simples: “nós apoiamos no início, mas agora não dá mais.”
E esse reconhecimento — ainda que tardio — é poderoso. Revela que a maré está mudando. Que já não é possível ignorar o autoritarismo judicial. Que, talvez, o poder esteja sendo usado com parcialidade e vingança.
Mas também levanta uma dúvida amarga: a imprensa mudou porque viu o erro... ou porque percebeu que ficou sozinha na defesa do indefensável?
O Começo do Fim da Intocabilidade?
Talvez estejamos assistindo ao início do fim da era em que certos ministros eram considerados intocáveis. Talvez, finalmente, o debate sobre os limites do STF entre na esfera pública com mais força.
Mas isso depende de algo essencial: a nossa vigilância. A nossa capacidade de não esquecer, de não deixar o ciclo se repetir.
E por isso, eu te pergunto:
👉 Você acha que Moraes passou dos limites?
👉 A grande imprensa está arrependida ou apenas tentando se reposicionar?
👉 E o mais importante: o Brasil está pronto para cobrar equilíbrio até mesmo dos que vestem togas?
Conclusão: A Surra Que Pode Virar Tendência
Essa semana, Moraes levou uma verdadeira surra. Mas não foi uma surra qualquer. Foi simbólica. Vinda daqueles que, por muito tempo, estiveram ao lado dele — ou no mínimo, silenciaram diante de seus abusos.
Foi um momento raro, talvez inédito. E pode ser o primeiro passo para uma mudança real na forma como o poder é fiscalizado neste país.
Mas isso só vai acontecer se a sociedade não baixar a guarda.

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