A Nova Humilhação do Governo Lula: Uma Estratégia de Chantagem que Virou Piada no Congresso
Imagine um governo tentando manter as rédeas do poder e, ao mesmo tempo, lutando desesperadamente para não perder o pouco de influência que lhe resta. Agora, imagine esse governo recorrendo a métodos antigos, quase caricatos — chantagens, cargos, emendas parlamentares — acreditando que ainda são suficientes para domar o Congresso. Mas... e se até o Centrão, famoso por seu apetite por verbas e vantagens, já não levasse mais isso a sério?
Pois é. Essa é a história recente do governo Lula diante do pedido de urgência para votar a anistia aos presos do 8 de janeiro. Uma história real, reveladora — e profundamente desconcertante.
Tudo começou com uma derrota que o Planalto tentou esconder sob o tapete. Sóstenes Cavalcante, líder do PL, protocolou um requerimento de urgência para votar a anistia dos manifestantes presos em 8 de janeiro. O governo não esperava por isso. Nem estava preparado. O resultado? Uma derrota no campo simbólico e político.
A resposta do governo foi imediata, mas previsível: acionaram Gleisi Hoffmann.
Gleisi, presidente do PT e figura-chave nas costuras internas, foi enviada para o campo de batalha com uma missão clara: barrar a anistia a qualquer custo.
Mas qual foi a estratégia adotada? Um misto de artimanhas regimentais e o velho e conhecido toma-lá-dá-cá.
O regimento da Câmara permite que um pedido de urgência seja retirado se mais da metade dos deputados que o apoiaram assinarem um novo documento revogando o anterior. No caso, o governo precisa de 132 assinaturas. Parece pouco? Não para um governo que sequer conseguiu impedir a direita de conquistar as 262 iniciais.
Mas o problema vai além dos números. O que está em jogo aqui é a forma como o governo tenta alcançar esse objetivo: chantagem institucional.
Segundo revelações da coluna de Malu Gaspar, a estratégia montada por Gleisi e sua equipe envolve um verdadeiro “mapa da vergonha”: uma análise detalhada dos cargos, emendas e nomeações de cada deputado que assinou o pedido de urgência.
O recado é claro:
“Se você não retirar a assinatura, vai perder tudo que já conseguiu com o governo.”
Promessas feitas. Cargos distribuídos. Emendas liberadas. Tudo será reavaliado. Um sistema de chantagem explícita, maquiado de negociação política.
Mas isso funciona?
A ironia? Nem mesmo o Centrão, conhecido por seu apetite insaciável por benesses públicas, está levando o governo Lula a sério.
Líderes do bloco passaram a ironizar a movimentação da base governista. Um deles foi direto ao ponto:
“Vão tirar o que não deram? Tem gente que pediu cargos e não levou. As emendas estão atrasadas desde 2023.”
Esse comentário expõe uma ferida aberta no governo: a perda completa de credibilidade. Se antes Lula conseguia manter uma base com promessas e acordos, hoje nem mesmo isso funciona. O Centrão, que sempre cheira o sangue de governos fracos, agora sente o cheiro da desorganização.
E mais: fazem piada com isso.
Durante anos, o Brasil viveu sob o chamado presidencialismo de coalizão: um modelo em que o presidente precisava construir alianças no Congresso para governar. Mas esse modelo evoluiu — ou degenerou?
Hoje, o que vivemos é algo pior: um presidencialismo de cooptação, que agora virou presidencialismo supremacista — onde o governo de Lula se sustenta muito mais nas decisões do Supremo Tribunal Federal do que no diálogo com os representantes eleitos pelo povo.
E é aí que a situação se agrava.
A essa altura, vale a pergunta: um governo que não consegue mais negociar nem com o Centrão ainda tem alguma força real para governar?
A tentativa de chantagem não apenas falhou, como expôs o desespero do Planalto. A promessa de punição virou motivo de riso. A máquina de emendas não gira mais como antes. E o Centrão, em ano eleitoral, já começa a repensar suas alianças — não por ideologia, mas por sobrevivência política.
A anistia dos presos do 8 de janeiro se tornou, nesse contexto, apenas o palco de uma disputa muito maior: a luta pela autoridade que o governo parece ter perdido.
O governo Lula está encurralado. Perdeu a capacidade de negociação. Perdeu o respeito do Congresso. E, pior: está sendo publicamente desmoralizado pelos mesmos deputados que, um dia, cortejou com promessas e acordos.
A questão que fica no ar é:
Será que Lula ainda pode recuperar a credibilidade perdida?
Será que novas promessas — ou o cumprimento das antigas — serão suficientes para reverter o descrédito? Ou será que a desconfiança já está tão enraizada que nem mesmo um esforço hercúleo será capaz de mudar o jogo?
Enquanto isso, cabe a nós, como cidadãos, manter a pressão. A mesma sensibilidade que o Centrão tem para sentir cheiro de sangue, ele também tem para sentir cheiro de voto.
Se os parlamentares perceberem que a opinião pública está ao lado da anistia, ou contra ela, eles vão reagir. Porque no fim das contas, a maior chantagem que um deputado teme é a do eleitor nas urnas.
E se há algo que esse episódio deixa claro é que, diante de um governo fraco, a voz popular volta a ter poder. E isso, talvez, seja o único respiro democrático nessa história de chantagens, cargos e deboche.
O plano do governo Lula para barrar a urgência da anistia tinha um único objetivo: controlar o Congresso. Mas acabou revelando, de forma nua e crua, a fragilidade da articulação política do Planalto.
Em vez de força, mostrou fraqueza. Em vez de autoridade, mostrou desespero.
E ao ver o Centrão rir na cara do governo, somos obrigados a refletir: em que ponto perdemos a capacidade de diálogo real na política? E mais: o que isso nos diz sobre o futuro da democracia brasileira?
Seja qual for sua opinião sobre a anistia, sobre o 8 de janeiro ou sobre o próprio Lula, uma coisa é certa: os bastidores do poder dizem muito mais sobre um governo do que seus discursos públicos.
E nesse bastidor, o que vimos foi um governo ridicularizado por aqueles que um dia chamou de aliados.
Se você chegou até aqui, já percebeu que essa história não é só sobre Lula. Nem só sobre o Centrão. É sobre o Brasil. É sobre o jogo de poder que acontece longe dos holofotes. E que só vem à tona quando a pressão popular obriga as engrenagens a rangerem.
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