The Economist Reconhece que o STF é o Câncer do Brasil



Imagine uma instituição que, teoricamente, deveria ser o guardião das leis, o símbolo máximo da imparcialidade e o último bastião da democracia. Agora imagine essa mesma instituição sendo retratada por uma das revistas mais respeitadas do mundo como um problema — não apenas um problema qualquer, mas como o "câncer" de um país. Foi isso que aconteceu com o Supremo Tribunal Federal do Brasil no editorial publicado pela revista britânica The Economist.


O editorial não foi um comentário isolado. Ele ecoou algo que milhões de brasileiros já sentem há muito tempo: o STF perdeu completamente a confiança da população. E não foi apenas Alexandre de Moraes o alvo da crítica. Pela primeira vez em muito tempo, a The Economist apertou o cerco, mirando praticamente todos os ministros da Corte. Mas o que isso significa? E mais importante: qual o impacto disso para o futuro da democracia brasileira?


Quando uma crítica atravessa o oceano

“O Supremo Tribunal Federal deve exercer moderação se não quiser virar alvo de uma crise de confiança dos brasileiros.”

Essa foi uma das primeiras frases do editorial. Mas será que ainda há algo a evitar? Ou será que a crise de confiança já se instalou, sem volta?


O sentimento de desconfiança em relação ao STF não é novo. O que chama atenção agora é o fato de que esse sentimento furou a bolha nacional e chegou ao cenário internacional. A The Economist, conhecida por seu rigor analítico e influência global, escancarou o que muitos já dizem nas redes sociais, nas ruas, nos bastidores da política: o STF se tornou uma ameaça institucional à democracia brasileira.


Mas essa ameaça não é simples. Ela é tripla. E a revista britânica fez questão de detalhar cada ponto com clareza.


Primeira ameaça: o poder sem freios

A The Economist aponta que os juízes do STF exercem um poder “surpreendentemente amplo” — especialmente Alexandre de Moraes —, com decisões que afetam diretamente a liberdade de expressão, o funcionamento das instituições e a vida política do país.


E a crítica não para aí: Moraes é acusado de mirar predominantemente em atores da direita. Uma perseguição política camuflada de decisões judiciais?


Quantas vezes vimos decisões monocráticas que paralisam investigações, censuram veículos de mídia, bloqueiam perfis de cidadãos comuns, criminalizam opiniões? E mais: até onde vai o poder de um único homem, que não foi eleito por voto popular, mas que hoje decide sozinho o que pode ou não ser dito no Brasil?


A resposta da The Economist é clara: o poder do Judiciário precisa ser reduzido, e o Congresso Nacional precisa agir com urgência para colocar limites, freios, contrapesos. Algo que, no fundo, é a essência de qualquer república democrática.


Segunda ameaça: a perda de apoio público

O STF, que deveria estar acima de disputas políticas, hoje sofre um descrédito histórico. Segundo dados apresentados pela revista, apenas 12% dos brasileiros consideram que o tribunal faz um bom trabalho — uma queda brutal, considerando que esse número era de 31% em 2022.


Mas o que causou essa erosão de confiança?


A resposta está em uma sequência de decisões que colocaram o STF como ator central na política brasileira, assumindo funções que deveriam ser exclusivas do Congresso. Em vez de guardar a Constituição, passou a reescrevê-la conforme interesses do momento.


Não se trata apenas de desgaste político. Trata-se de algo muito mais profundo: uma ruptura com os princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da transparência.


Terceira ameaça: a democracia iliberal

Talvez o ponto mais grave do editorial: o STF estaria se tornando um instrumento de impulsos iliberais — ou seja, usando seu poder para restringir liberdades, em vez de protegê-las.


Essa é uma das reflexões mais importantes trazidas pela revista:


“O Brasil ainda tem eleições, mas não é mais uma democracia liberal.”


Esse é o diagnóstico. E ele é preocupante.


Em uma democracia liberal, há espaço para o contraditório, para a crítica, para a liberdade de expressão, para o respeito às garantias individuais. Mas o Brasil atual, segundo a The Economist, não respeita mais esses pilares fundamentais.


E isso nos leva a uma pergunta crucial:

👉 O que acontece quando o último pilar da democracia se transforma no seu algoz?


Quando o STF vira partido político

A revista vai além da crítica institucional. Ela mostra o lado pessoal e político de cada ministro. Um exemplo direto: o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro está nas mãos de uma turma que inclui Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula.


Como esperar imparcialidade?


A The Economist alerta: o julgamento corre o risco de reforçar a percepção (ou a certeza?) de que o STF atua mais como um braço político do governo do que como uma corte de justiça.


Isso é escancarado. Não há mais como disfarçar. Não se trata de interpretação, mas de fatos. O tribunal que anulou condenações da Lava Jato por “questões processuais” é o mesmo que mantém prisões preventivas ilegais por tempo indeterminado quando os réus são alinhados à direita.


A metralhadora crítica: Barroso, Toffoli e Gilmar Mendes

O editorial não poupou ninguém. Barroso foi lembrado por dizer que “derrotou o bolsonarismo”. Toffoli, por anular praticamente todas as provas da Lava Jato e abrir investigações contra a Transparência Internacional. E Gilmar Mendes? Foi citado como o ministro que organiza eventos luxuosos em Lisboa, nos quais se reúnem políticos, empresários e figuras que frequentemente têm interesses julgados pela própria corte.


Como esperar neutralidade em um ambiente onde as decisões judiciais coincidem com interesses de bastidores e com relações pessoais obscuras?


O STF virou motivo de vergonha internacional?

O editorial mostra que as críticas já saíram das bolhas digitais e dos círculos de direita. Agora, elas ocupam espaço em revistas e jornais da Europa, da Alemanha, do Reino Unido — e ganham respaldo de intelectuais, diplomatas e fundações internacionais.


Isso pode parecer simbólico, mas tem um peso tremendo. Quando veículos como The Economist fazem denúncias tão contundentes, o eco chega longe: atinge organismos internacionais como a OEA, a ONU, a Corte Interamericana de Direitos Humanos.


E isso pode acelerar a reação internacional contra os abusos cometidos por ministros que se sentem acima da Constituição.


O que ainda pode ser feito?

Segundo o editorial, o Congresso Nacional precisa assumir sua responsabilidade e reconquistar sua autonomia, inclusive retomando o debate sobre a regulação da liberdade de expressão online — hoje nas mãos de Moraes.


Mas será que o Congresso tem coragem? Ou será que também foi capturado por esse mesmo sistema?


A reflexão que não pode calar

Se a The Economist está certa — e tudo indica que está —, o Brasil caminha para se consolidar como uma democracia de fachada, onde o voto ainda existe, mas as liberdades fundamentais estão sob ataque constante.


E aqui fica a pergunta final, para você que chegou até aqui: 👉 De que adianta votar, se os seus direitos mais básicos podem ser censurados, silenciados ou anulados por um tribunal que age como partido político?


A luta pela democracia não é mais apenas sobre eleições. É sobre liberdade. Sobre limites. Sobre equilíbrio entre os poderes. E, principalmente, sobre devolver ao povo o direito de discordar — sem medo de ser preso, calado ou excluído digitalmente.

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