Como a Politicagem e a Má Gestão Levaram a Empresa à Maior Crise de Sua História


Na última semana, uma notícia que passou quase despercebida para a grande imprensa tradicional veio confirmar o pior cenário possível: os Correios estão enfrentando um prejuízo recorde de R$ 2,6 bilhões, o maior da história da empresa. Um valor absurdo, que não apenas expõe a gravidade do desmonte institucional em curso, mas também revela como a politicagem se infiltrou nos bastidores da estatal até transformá-la num esqueleto do que já foi.


O que antes era sinônimo de eficiência, orgulho nacional e serviço público essencial, agora virou mais um capítulo triste da gestão petista: uma empresa pública quebrada, com dívidas crescentes, funcionários sem plano de saúde, terceirizados sem receber e serviços degradados em várias regiões do país. E tudo isso enquanto shows de artistas famosos são patrocinados por recursos escassos, e cargos políticos continuam sendo ocupados por apadrinhados ideológicos — cujo único mérito parece ser a fidelidade ao partido.


A Herança Maldita Que Vem de Longe... Mas Piorou Agora

Não há como negar que os Correios carregavam problemas estruturais há décadas. A burocracia excessiva, a falta de modernização tecnológica e o peso das obrigações legais com entrega universal sempre foram obstáculos. Mas foi durante o governo Bolsonaro que houve uma tentativa real de reestruturação.


Sob a gestão do general Floriano Pequeno, o foco era claro: preparar a empresa para privatização. O caminho envolvia cortes de cargos desnecessários, redução de gastos com pessoal e revisão de contratos. E, mesmo com resistências internas, houve uma melhoria momentânea nas contas públicas da estatal.


Mas essa janela breve foi fechada com a volta do PT ao poder. Lula, desde o início de seu mandato, tratou os Correios como mais um campo de disputa política, onde aliados precisavam ser recompensados. E o resultado disso? R$ 2,6 bilhões no vermelho. Uma marca que pode ser recordada por muito tempo.


Cargos Inúteis, Gente Ociosa e Contas no Vermelho

Uma das maiores tragédias dos Correios é a forma como sua estrutura foi usada como moeda de troca política. Ao longo dos anos, milhares de cargos de confiança foram criados, distribuídos e mantidos sem nenhuma justificativa funcional. Muitos deles sequer aparecem na linha operacional. São nomes em listas de pagamento, pessoas que nunca entraram num centro de distribuição, nem assinaram relatórios, nem resolveram qualquer problema logístico.


E isso pesa. Pesou no bolso da empresa. E está pesando no bolso do brasileiro comum, que paga impostos para sustentar esse naufrágio. Enquanto os trabalhadores operacionais enfrentam cortes de jornada, demissões voluntárias e perda de benefícios, os apadrinhados seguem com seus salários altos, suas bônus e suas proteções garantidas por conexões partidárias.


É isso que causa indignação dentro e fora da estatal. É isso que faz com que os próprios servidores digam, em conversas reservadas: “nós somos quem entrega as encomendas, pagamos pela bagunça que eles fizeram”.


Quando a Privatização Virou Fantasia

Havia esperança. Durante o primeiro ano do governo Bolsonaro, a privatização dos Correios parecia iminente. O processo estava em andamento. Estudos técnicos haviam sido concluídos. E até mesmo o mercado internacional mostrava interesse em assumir a gestão logística da empresa.


Mas algo mudou. Com a mudança de governo, essa possibilidade foi arquivada. E o que era prometido como uma abertura para modernização virou retrocesso. Em vez de entregar a estatal ao setor privado, Lula optou por manter o controle estatal sob a justificativa de “proteger o patrimônio nacional”.


Só que não se protege patrimônio com gestão populista, decisões contábeis questionáveis e manutenção de práticas clientelistas. O que se vê hoje é uma empresa que, longe de ser modelo de eficiência, virou refém de interesses políticos.


E o pior: o ciclo vicioso está completo. Quanto pior o serviço, menos empresas confiam nele. E quanto menos confiança, menos demanda chega aos Correios — o que só agrava o prejuízo.


Terceirizados Sem Pagamento e Entregas que Não Saem do Centro de Distribuição

Já há relatos alarmantes. Empresas terceirizadas, responsáveis por parte da frota de entregas e logística complementar, começam a abandonar contratos por falta de pagamento regular. Isso significa que entregas regionais estão sendo afetadas, especialmente em áreas mais distantes e de menor densidade urbana.


Em algumas cidades do interior de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, já há casos de atrasos significativos em encomendas, com reclamações crescendo nas redes sociais. Clientes relatam que encomendas levam semanas para sair do centro de distribuição local. Algo inaceitável em tempos de entregas expressas e expectativas digitais.


E enquanto isso acontece, grandes players do varejo digital, como Amazon e Mercado Livre, aceleram investimentos em logística própria. O resultado é óbvio: o monopólio estatal na entrega de pacotes começa a ruir, e os Correios perderão ainda mais espaço diante da concorrência.


Funcionários no Limite: Sem Plano de Saúde e Sem Esperança

Enquanto a cúpula da empresa discute estratégias políticas e defende interesses partidários, os verdadeiros heróis da operação enfrentam cortes brutais. Planos de saúde suspensos. Jornadas reduzidas. Salários congelados. Benefícios revogados.


Um carteiro de Brasília, que prefere permanecer anônimo, resumiu bem o sentimento:


"Nós somos os que saem pra rua, enfrentamos sol, chuva, furto e até violência. Mas quem leva o bônus final de ano é o cara que tá lá no escritório, sem fazer nada. Ninguém liga pra gente. E todo mundo tá sabendo que os Correios vão mal, mas ninguém faz nada." 


Essa frustração ecoa por toda a base. E não é difícil entender por quê. Aqueles que realmente mantêm o funcionamento da máquina são os primeiros a sentir os efeitos do colapso. E os últimos a ser ouvidos quando se fala em reformulação.


A Taxa das Blusinhas: Um Erro Político que Feriu o Brasil Inteiro

Outra polêmica que contribuiu diretamente para o colapso foi a chamada "taxa das blusinhas", uma medida adotada pelo governo Lula para taxar produtos importados de baixo custo, vindos principalmente da China.


A justificativa oficial era nobre: proteger o pequeno comércio brasileiro contra produtos baratos e não regulamentados. Mas a prática foi outra. A taxa não só prejudicou milhares de microempreendedores, que viam no dropshipping e na importação direta uma fonte de renda, como afetou diretamente o volume de pacotes que passavam pelos Correios.


Com a redução de fluxo de mercadorias, a receita operacional da estatal despencou. E o pior: esse dinheiro não foi substituído por nenhum outro mecanismo compensatório. Ou seja, perdeu o comerciante, perdeu o consumidor, e perdeu também a própria empresa.


Agora, os trabalhadores pedem a devolução dos R$ 3 bilhões arrecadados com a taxa, argumentando que esse montante seria suficiente para cobrir o prejuízo atual e até permitir novos investimentos em infraestrutura e melhorias salariais.


Mas Lula e Haddad não querem ouvir. Afinal, a taxa foi criada por ele. E admitir que errou seria reconhecer fragilidade política — algo que o presidente evita a todo custo.


O Colapso Interno e as Medidas Paliativas Que Não Resolvem Nada

As medidas anunciadas até agora soam como remendos em roupas furadas. Redução de jornada de trabalho. Demissão voluntária. Cortes simbólicos em alguns setores. Tudo isso enquanto os mesmos cargos políticos continuam intactos.


É como se a solução fosse simplesmente tirar do operário para manter o político. E isso, além de injusto, é insustentável. Porque não resolve o problema central: a politicagem que corrói a estatal por dentro.


Especialistas em administração pública alertam que nenhuma dessas medidas vai frear o rombo financeiro. Até porque o problema não está na operação logística, mas sim na estrutura inflada de cargos de confiança, na má alocação de recursos e na ausência de planejamento estratégico.


Se a privatização foi descartada, precisaria haver uma reestruturação profunda. E ela incluiria, necessariamente, a eliminação de cargos fantasmas, a revisão de contratos e a renegociação de dívidas. Mas o que vemos é exatamente o oposto: mais apadrinhados, mais intervenções ideológicas e mais pressão sobre quem realmente produz.


A Guerra Entre Servidores e Apadrinhados: Quem Trabalha, Quem Só Finge?

Dentro dos Correios, a divisão entre quem realmente trabalha e quem ocupa cargos políticos é visível. Os carteiros, atendentes e motoristas são os que mais sofrem com os cortes e com a precarização. Já os apadrinhados de partidos como o PT, PSB e PCdoB seguem com seus espaços garantidos, muitas vezes sem sequer aparecerem no dia a dia da empresa.


Esse cenário cria um clima de desânimo generalizado. Funcionários que dedicaram décadas à empresa começam a pensar em aposentadoria precoce, enquanto outros cogitam migrar para outras funções públicas ou até mesmo deixar o serviço estatal.


E isso, naturalmente, agrava ainda mais a crise operacional. Com menos mão de obra capacitada e mais cargos improdutivos, a qualidade do serviço só tende a piorar.


A Pressão Internacional e o Desgaste Diplomático

A crise dos Correios não é só doméstica. Ela também tem reflexos internacionais. Afinal, a taxa das blusinhas feriu parcerias comerciais com pequenos exportadores chineses, que até então viam no Brasil um mercado promissor.


Além disso, a decisão unilateral de criar uma taxa sem negociação prévia com o Ministério da Economia ou com o Congresso gerou críticas duras de organismos multilaterais, que consideraram a medida protecionista e anti-competitiva.


Especialistas da OCDE já sinalizaram que políticas desse tipo podem prejudicar acordos futuros de livre comércio com a União Europeia e os EUA. E, ironicamente, quem pagará por isso será novamente o contribuinte brasileiro, através de oportunidades perdidas e isolamento comercial.


O Impacto Real na População: Quando o Serviço Público Deixa de Ser Confiável

Para o brasileiro comum, o colapso dos Correios não é só uma questão de números no balanço. É uma questão de confiança. Quantas pessoas já desistiram de usar a estatal para enviar documentos importantes, como cartas registradas, encomendas médicas ou diplomas universitários ?


Quantos pequenos negócios online, que dependiam do sistema postal para entregar seus produtos, agora migram para alternativas privadas, mais rápidas, mas também mais caras?


O impacto é real. E está espalhado por todo o país. Do Nordeste ao Sul, do Sudeste ao Norte, a percepção é a mesma: os Correios estão mais lentos, menos confiáveis e cada vez mais distantes da realidade operacional do século XXI.


E a resposta do governo? Mais políticos. Mais cargos. Mais interferência. E, logicamente, menos investimento em infraestrutura, automação e tecnologia.


O Prejuízo Bilionário e a Recuperação Impossível

O prejuízo de R$ 2,6 bilhões é só a ponta do iceberg. Analistas estimam que, se o governo continuar insistindo na manutenção do status quo, em dois anos o déficit acumulado ultrapassará os R$ 10 bilhões.


Isso torna a situação crítica. E mais do que isso: insustentável. A única saída real seria privatizar a estatal ou, no mínimo, abrir espaço para parcerias público-privadas. Mas Lula segue firme em seu discurso de que “os Correios devem permanecer nas mãos do Estado”.


E, infelizmente, esse Estado não é mais o mesmo que cuidava do povo. Hoje, ele age como patrão de conveniência, onde interesses políticos prevalecem sobre o bem coletivo.


O Futuro Sombrio: Da Precarização ao Colapso Total

Agora, o que se espera é um agravamento da situação. Se os Correios não forem reestruturados, em poucos anos estarão inviáveis. As filas nos correios aumentarão. Os prazos de entrega ficarão ainda mais longos. E a confiança no serviço, já abalada, desaparecerá de vez.


Empresas privadas, como Correios Logísticos, JadLog e Totvs, já estão preparadas para assumir esse vácuo. Mas elas não têm a obrigação constitucional de entregar em qualquer lugar do Brasil, inclusive no Acre ou em Roraima. Enquanto isso, vai faltar entrega em comunidades remotas, e os mais pobres serão os mais prejudicados.


E o pior de tudo: ninguém parece disposto a mudar isso. Nem o Executivo. Nem o Legislativo. Nem mesmo o Judiciário. Todos preferem seguir alimentando uma narrativa de que os Correios são apenas mais uma vítima do neoliberalismo, quando na verdade são vítimas de si mesmos.


A Revolta Cresce: Trabalhadores Pedem Socorro

Dentro dos Correios, a revolta é visível. Trabalhadores estão organizando abaixo-assinados, fazendo protestos discretos e exigindo que Lula volte atrás em sua decisão de manter a taxa das blusinhas. Mas o que mais incomoda é a sensação de abandono.


Eles dizem que o governo só fala em “defender o pobre”, mas mantém práticas que ferem justamente os mais vulneráveis. Enquanto isso, eventos culturais continuam sendo financiados com recursos públicos escassos.


Um funcionário de São Paulo, que trabalha há 22 anos nos Correios, disse em tom de desabafo:


“Eu pago conta de luz, água, aluguel, comida. E agora tenho que pagar pela merda que eles fizeram com a nossa empresa? Eu entendo que o estado precisa existir, mas não pode ser esse estado aí.” 


Um Serviço Público Que Morreu Devagar

Os Correios, outrora símbolo de integração nacional, estão prestes a se tornarem um dos maiores fracassos do atual governo. R$ 2,6 bilhões no vermelho, serviços degradados, funcionários no limite e um futuro incerto.


O pior é que esse colapso não surgiu por acidente. Ele foi construído propositalmente, por quem preferiu usar a estatal como moeda de troca política, em vez de ferramenta de desenvolvimento nacional.


Agora, resta ao povo brasileiro assistir, impotente, enquanto sua empresa estatal se desmorona diante dos olhos de todos. E, como sempre, quem paga a conta é quem não teve voz no processo.


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