No Brasil, onde a narrativa política parece cada vez mais um jogo de cartas marcadas, um áudio recentemente divulgado promete reacender debates ou melhor, tentar reacender uma história já enterrada. Desta vez, o protagonista é Vladimir Soares, ex-agente da Polícia Federal, cujas declarações vazaram sob a justificativa de que ele teria falado sobre a possibilidade de um "golpe" durante os últimos dias do governo Bolsonaro. E, surpresa das surpresas, ele teria dito algo como: “Eu cortaria a cabeça do Alexandre de Moraes.”
Imediatamente, a imprensa tradicional se mobilizou. O áudio foi apresentado como nova prova de uma tentativa de golpe orquestrada por apoiadores de Bolsonaro, com o objetivo de reafirmar a narrativa que vinha sendo abalada nos últimos meses: que Lula é o herói democrático enfrentando um exército de conspiradores bolsonaristas.
Mas há um detalhe crucial nisso tudo: essa conversa não só ocorreu fora do tempo-chave da eleição de 2022, como também foi registrada sem provas concretas de qualquer planejamento real de golpe. O próprio Soares disse, na gravação, que o plano dependia do apoio de Jair Bolsonaro… e que o então-presidente desistiu da ideia. Ou seja, não houve ato concreto, nem ordens assinadas, nem movimentação institucional.
Mesmo assim, o Supremo Tribunal Federal (STF) age como se tivesse encontrado o “smoking gun” da história recente do país. Mas, ao invés de provar algo novo, só revela o quanto essa narrativa está desgastada e falha de sustentação legal.
O Áudio Que Não Vale Nada, Mas É Usado Como Se Valesse Tudo
Vamos direto ao ponto: não há evidências de que Bolsonaro tenha armado ou mesmo cogitado um golpe após sua derrota eleitoral em 2022. Pelo contrário, há fortes indícios de que ele evitou tomar medidas extremas, mesmo diante da pressão de setores mais radicais dentro do seu círculo próximo.
Agora, surge esse diálogo entre Soares e outros agentes, onde o tom é de revolta e frustração mas não de articulação criminosa. Há menções vagas a planos teóricos, a gestos retóricos, mas nenhuma prova de crime em andamento, nenhum documento, nenhuma ordem executiva, nenhum decreto.
E, ainda assim, o STF decidiu proibir a divulgação de gravações do julgamento, impedindo a transmissão pública do processo, sob o argumento frágil de que testemunhas precisam ser protegidas. Só que isso soa estranho quando você põe no centro do julgamento um áudio vindo de uma fonte anônima, com conteúdo impreciso e sem data claramente confirmada.
Se o argumento é que as partes estão sendo protegidas, então por que não permite-se gravar as audiências? Por que esconder o julgamento dos olhos do povo brasileiro?
Soares Critica Bolsonaro Abertamente: Isso Incomoda os Narradores Oficiais
Uma das passagens mais importantes do áudio mostra algo que poucos querem admitir: Bolsonaro é criticado diretamente por Vladmir Soares, que diz que o presidente não teria coragem para tomar medidas drásticas. Ele fala com desapontamento, quase com reprovação, dizendo que tinha esperança de que Bolsonaro agisse com mais firmeza, mas acabou desistindo da ideia de confronto.
E isso, paradoxalmente, absolve o ex-presidente. Porque se um suposto golpista está frustrado com a falta de ação, então não há muito por trás dessa acusação. O raciocínio é simples: quem realmente queria fazer alguma coisa era o grupo de Soares. Bolsonaro, não.
O autor da transcrição original tem razão: a ausência de execução é o maior problema dessa acusação. Falar mal do ministro do STF, reclamar da inação presidencial, até mencionar planos hipotéticos é uma coisa. Mas isso não constitui crime de responsabilidade, nem tampouco tentativa de golpe de estado.
Para caracterizar qualquer tipo de movimento antidemocrático, seria necessário:
Planejamento concreto
Criação de estratégias operacionais
Conluios entre militares, segurança nacional e servidores públicos
Mobilização de forças federais ou estaduais
Nada disso aparece no áudio. E mesmo assim, ele se tornou alvo de investigações profundas, com multas, prisões e processos ligados ao inquérito das fake news.
A Imprensa Reage com Velocidade Suspeita
É difícil ignorar o timing politizado dessa divulgação. Enquanto o escândalo do INSS ganha força, com denúncias de R$ 1,5 bilhão roubado de programas sociais, a grande mídia redireciona o foco para o passado. E faz isso com um recuo técnico importante: o áudio sequer é anterior às eleições de 2022 ele foi gravado depois delas.
O que levanta uma pergunta óbvia: por que agora? Por que colocar uma gravação antiga, feita após a derrota eleitoral, como prova de um golpe que não aconteceu?
A resposta parece estar mais na estratégia de comunicação do que na verdade jurídica. Com a popularidade de Lula despencando, o PT e seus aliados procuram formas de manter a polarização artificial. E nada melhor do que ressuscitar o medo do "bolsonarismo autoritário" para encobrir os próprios erros do presente.
Por Que o STF Tem Medo de Divulgar o Julgamento?
Essa é a parte mais séria da história: a decisão de Alexandre de Moraes de proibir a gravação das audiências. Ao usar o pretexto de manter sigilo sobre depoimentos e garantir a "incomunicabilidade" dos envolvidos, ele mascara um desejo claro de controlar o fluxo de informações.
A liberdade de imprensa, inclusive, é um dos pilares fundamentais da Constituição Brasileira. E, ironicamente, quando o STF tenta mostrar que defende a democracia, ele age exatamente como regimes autoritários fazem escondendo processos, limitando acesso à informação e fazendo justiça às sombras.
A proibição de gravação das audiências levanta dúvidas sobre a legitimidade do julgamento, especialmente num momento tão delicado para o país. As pessoas têm o direito de saber como suas instituições funcionam. De entender como um processo é conduzido. E de ver, de fato, se há elementos legais suficientes para a punição de um ex-presidente da República.
Se o STF teme a exposição pública, ele não está buscando Justiça. Está buscando legitimação simbólica de um espetáculo já roteirizado.
Mauro Cid e o Papel Ambíguo nas Gravações
Outro nome que voltou ao debate é o de Mauro Cid, ex-assessor militar de Bolsonaro, acusado de apagar mensagens relevantes à investigação. Mas, diferentemente do que muitos afirmam, não há nenhuma indicação clara de que essas mensagens continham provas contundentes.
Além disso, o impacto real dessas acusações é mínimo. Em público, muitos duvidam que Cid tenha tido algum papel central numa suposta tentativa de interrupção da ordem constitucional. E, por incrível que pareça, mesmo aliados próximos a Bolsonaro não acreditavam num golpe real.
Isso contradiz a narrativa oficial, que tenta montar um enredo onde Bolsonaro, Mauro Cid, Eduardo Bolsonaro, Alan dos Santos e mais um batalhão de apoiadores estariam articulando um plano de ocupação ilegal do poder. Um cenário que, na prática, nunca existiu.
O áudio de Soares, por exemplo, mostra que havia divisão até dentro do círculo de confiança do ex-presidente. Alguns queriam medidas mais firmes. Outros, como o próprio Soares, perceberam que Bolsonaro não tinha disposição para arriscar o país inteiro numa jogada de ruptura institucional.
A Linha Vermelha Entre o Discurso e a Prática Política
O áudio de Vladmir Soares ilustra bem essa distorção entre discurso e prática. Mostra que havia setores frustrados com a falta de ação de Bolsonaro, mas não revela um golpe, nem um esquema organizado, nem uma tentativa real de derrubar o regime.
Mais do que isso: ele expõe uma verdade desconfortável para o campo petista. Bolsonaro, por mais que fosse irritadiço, não tinha veleidades ditatoriais. E teria sido exatamente isso que evitou o pior em 2022.
Em contraposição, Lula, mesmo com maioria parlamentar, vem tomando decisões que fragilizam a própria democracia brasileira. Do controle de redes sociais ao uso de recursos públicos para financiar projetos eleitoreiros, é o atual governo que está corroendo a confiança do povo no Estado.
A Estratégia da Mídia e o Silêncio do Povo
O maior erro da oposição conservadora é achar que pode convencer a população com discursos técnicos. O maior erro da direita é achar que a verdade prevalece por si só. E o maior erro do PT e seus aliados é achar que podem enganar o povo indefinidamente.
Por isso, a divulgação do áudio de Soares não deve ser vista como um fato isolado. Deve ser lida como parte de uma estratégia de comunicação mais ampla, que busca canalizar o medo, a polarização e a narrativa do “nós contra eles” para os próximos anos.
Mas o povo está começando a perceber: quando eles falam em golpe, eles estão falando de você. De mim. De você. De quem discorda deles. E isso é o que assusta de verdade.
O Brasil Assistindo a uma Peça Mal Encenada
O áudio de Vladmir Soares não muda a história. Não prova o golpe. E, ironicamente, até absolve Bolsonaro de uma participação direta. Mas ele serve para algo mais urgente: testar a resistência do povo brasileiro à manipulação judicial e midiática.
Se o STF e a imprensa continuarem insistindo nessa narrativa, o povo vai começar a duvidar não só das acusações, mas da própria justiça. E, se elas forem repetidas sem fatos novos, vão perder a credibilidade que já não é lá muito alta.
O autor da transcrição original tem razão em um ponto fundamental: a tentativa de reviver o fantasma do golpe pode ser um sinal de desespero. Desespero do PT em esconder seus erros. Da mídia em manter a polarização viva. E do STF em consolidar seu poder sem contestações reais.
Mas a sociedade está mudando. Os jovens estão começando a repensar o conceito de democracia. E os velhos partidos, cansados de tantos erros, estão criando caminhos alternativos de informação e resistência.
E se tem uma coisa que a gente aprendeu com tudo isso, é que quando alguém tem tanto medo de mostrar a cara, é porque tem algo a esconder.

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