Barroso Responde às Críticas Por Participar de Eventos Com Empresas Que Têm Ações no STF


O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, respondeu às críticas sobre sua participação em eventos organizados por empresas que têm processos pendentes na Corte. Ele disse que há uma “visão negativa” muito grande por parte da sociedade em relação a quem atua no setor privado.


Barroso fez essas declarações durante o Fórum Esfera, realizado no Guarujá, no último sábado. O ministro explicou que tem participado de encontros com empresários não para favorecer interesses específicos, mas para buscar apoio a um projeto social importante.


Segundo ele, muitas pessoas acham que todo mundo que se aproxima do Supremo tem segundas intenções:

“Se eu não pudesse me encontrar com quem tem interesse no STF, teria que ficar trancado em casa. Todo mundo tem algum tipo de interesse no tribunal. Prefeitos, deputados, sindicatos, movimentos indígenas… Isso faz parte.”


Encontros com empresários geraram polêmica

Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou que Barroso participou de pelo menos seis eventos com empresários entre o final de maio e início de junho. Alguns desses encontros ocorreram em Brasília e até em Nova York, nos Estados Unidos.


Muitos criticaram a presença do ministro em eventos promovidos ou patrocinados por pessoas cujas empresas têm ações em andamento no STF.


Barroso, porém, rebateu as críticas dizendo que estava buscando ajuda financeira para um projeto voltado à inclusão racial no Judiciário:

“Eu estou tentando conseguir bolsas para juízes negros e indígenas, para ajudar a combater o racismo estrutural dentro do sistema judicial. Vários empresários mostraram interesse em colaborar com essa causa.”


Mesmo assim, ele admitiu que a imprensa entendeu de outra forma:

“A matéria saiu dando a entender que eu usei esse projeto como desculpa para me encontrar com empresários com interesse no STF, como se eu quisesse influenciar decisões.”


Crítica à visão negativa da política

Barroso também reclamou do que chamou de "obsessão negativa" da população com a política e os negócios públicos. Segundo ele, essa visão acaba afastando pessoas boas da vida pública.


“É verdade que acontecem muitas coisas erradas no Brasil”, afirmou o ministro. “Mas também existem muitas pessoas honestas, que querem contribuir para melhorar o país. Se a gente insistir em ver malícia em tudo, vamos acabar afastando os bons da política e das instituições.”


Ele defendeu que nem todos que se envolvem em causas públicas estão atrás de vantagens próprias:

“Se tratarmos todo mundo como se tivesse más intenções, ninguém vai querer mais ajudar. E isso prejudica o Brasil.”


As declarações de Luís Roberto Barroso mostram o quanto é delicado o papel de um ministro do Supremo quando o assunto é proximidade com o setor privado. Mesmo com um discurso centrado na inclusão e no apoio ao Judiciário, suas presenças em eventos com empresários têm gerado dúvidas e críticas. Barroso tenta mostrar que há espaço para diálogo e cooperação, mas enfrenta um clima de desconfiança generalizada algo comum num país onde a política frequentemente aparece manchada por escândalos. Afinal, convencer a sociedade de que há boas intenções por trás de certas ações parece, hoje, tão difícil quanto mudar a própria imagem do poder no Brasil.

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