Na terça-feira (3), uma notícia surpreendeu o cenário político brasileiro. A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou que deixou o país há alguns dias, com destino à Europa, onde tem cidadania garantida por origem familiar. O motivo? Sua recente condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão por envolvimento na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Mas não foi só isso. Em uma live no canal Auriverde Brasil, ela afirmou que pretende usar sua nova base internacional para denunciar os “desmandos” do sistema judicial brasileiro, especialmente diante daquilo que chama de “ditadura tecnológica”, “falta de liberdade” e “censura institucionalizada”.
E mais: ela promete levar seu caso às Cortes europeias, incluindo Portugal, Espanha, Itália e França — países que começam a ouvir relatos como o dela, cada vez mais frequentes, sobre abusos judiciais no Brasil.
O Que Levou Carla Zambelli à Condenação?
A condenação da Primeira Turma do STF foi unânime. Ela foi sentenciada a 10 anos de prisão em regime fechado, além de multa de R$ 2 milhões por danos materiais e morais, sob acusação de participação no esquema de invasão ao CNJ junto ao hacker Walter Delgatti Neto, que também foi condenado.
Segundo o relator do caso, suas ações representaram “graves ameaças à segurança institucional”, e justificaram punição exemplar.
Zambelli, no entanto, nega qualquer envolvimento com crime e diz que foi usada como bode expiatório pela esquerda, num processo que misturou política e justiça de forma desproporcional:
“Sou vítima de uma perseguição política que atenta não apenas contra minha honra pessoal, mas também contra os princípios mais elementares do Estado de Direito.”
Especialistas já apontam que essa condenação é parte de um movimento maior de criminalização de vozes dissidentes, algo que se intensificou desde os eventos de 8 de janeiro de 2023, e que agora parece estar atingindo até parlamentares com mandato vigente.
Por Que Sair Do País Agora?
Zambelli explicou que seu afastamento do Brasil não é uma fuga, mas sim uma estratégia de resistência. Ela afirmou que já vinha sofrendo pressão constante da justiça, inclusive com ordens de busca e apreensão e investigações paralelas sobre sua conduta digital.
“Eu parei para pensar na quantidade de amarras que a gente tem, no quanto o Parlamento às vezes se abaixa com receio, não tem sido mais o que a gente espera. E não é por falta de coragem dos parlamentares, mas porque o que eles fazem é desfeito no STF, que executa, que cria leis, julga leis, faz tudo.”
Essas palavras ecoam como um retrato do que muitos críticos do Judiciário vêm denunciando nos últimos meses: o STF está assumindo funções legislativas e execututivas, enquanto ministros como Alexandre de Moraes usam a toga como escudo ideológico.
Ela disse ainda que não podia mais expressar suas opiniões livremente no Brasil sem ser alvo de represálias:
“Eu me cansei de ficar calada, de não atender meu público.”
Isso levanta uma questão grave: será que estamos assistindo a uma erosão real da liberdade de expressão no Brasil? E, mais importante: até quando políticos, jornalistas e influenciadores vão começar a buscar refúgio fora do país para poder falar livremente?
Um Alerta Para Todos os Brasileiros: Quando a Prisão Vira Ferramenta de Controle
Em sua live, Zambelli falou com emoção sobre o que chama de “medo generalizado entre brasileiros de sofrer represálias por discordar do governo”. E citou o caso de Débora Rodrigues, cabeleireira condenada a 12 anos de prisão por vandalizar a estátua da Justiça durante os atos de 8 de janeiro de 2023.
“O povo brasileiro vive hoje sob amarras, sob censura, sob medo de falar o que pensa.”
Esse é um tema delicado, e que vai muito além da figura de Zambelli. Se uma deputada federal com foro privilegiado se sente pressionada a sair do país, imagine o que um cidadão comum enfrenta ao criticar o STF, o governo ou as urnas eletrônicas ?
Especialistas alertam: quando você usa a justiça como arma política, começa a perder legitimidade perante todos. E quanto mais o STF age como partido, menos ele representa a imparcialidade esperada de um tribunal.
Zambelli Deixa o Mandato Temporariamente: Legal ou Não?
Além da saída do país, Carla Zambelli anunciou que vai pedir licença do mandato parlamentar, baseando-se em um dispositivo constitucional que permite o afastamento temporário por motivos de saúde.
Ela destacou:
“Tem essa possibilidade da Constituição, acho que as pessoas conhecem um pouco mais essa possibilidade hoje em dia, porque foi o que o Eduardo [Bolsonaro] fez também.”
Essa medida é legal, mas gera questionamentos: será que a Câmara dos Deputados vai aprovar esse pedido de licença com facilidade, especialmente considerando que a própria Casa já teve seus prédios invadidos e que setores da esquerda tentam blindar o STF de qualquer crítica?
Especialistas dizem que a decisão final caberá à Mesa Diretora da Câmara, e que a ausência prolongada pode gerar reações de partidos contrários ao bolsonarismo.
A Guerra das Urnas Eletrônicas: Carla Zambelli e a Crítica às Urnas
Durante a transmissão, Carla Zambelli voltou a atacar o sistema eleitoral brasileiro. Ela afirmou que as urnas eletrônicas são “não confiáveis”, e que as pesquisas eleitorais também são manipuladas.
“Enquanto não tiver um voto impresso ao lado da urna eletrônica, enquanto a gente não tiver contagem pública de votos, nós não teremos democracia no nosso país.”
Essa posição, embora polêmica, tem ganhado força entre setores da direita e até mesmo em partes da sociedade civil. Afinal, apesar da auditoria do TCU que não encontrou irregularidades nas urnas em 2022, muitos seguem cobrando maior transparência no processo eleitoral.
Especialistas dizem que a confiança na Justiça Eleitoral precisa ser restaurada, e que criticar o sistema não significa necessariamente querer derrubar a democracia — significa querer aperfeiçoá-la.
A saída de Carla Zambelli não é só mais uma viagem internacional. É um sinal de alerta sobre a fragilidade do sistema democrático brasileiro, e de como a justiça está sendo usada como ferramenta de silenciamento político.
Especialistas chamam isso de “ditadura tecnológica”, onde ministros do STF usam o cargo para controlar o fluxo de informação, punir críticos e criminalizar a oposição.
A decisão de Carla Zambelli de deixar o Brasil marca mais um passo nesse caminho autoritário, onde quem discorda é automaticamente considerado inimigo do Estado, e quem critica o sistema eleitoral é cassado ou preso.

0 Comentários