Na terça-feira (3), uma notícia sacudiu o cenário político-jurídico brasileiro. A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou que deixou o país há alguns dias, buscando um novo ambiente para continuar suas atividades políticas e jurídicas. Ela também informou que vai pedir licença do mandato parlamentar, citando como razão os desafios enfrentados no Brasil, especialmente após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos e 8 meses de prisão por suposta invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Mas o mais surpreendente veio em seguida: a Procuradoria-Geral da República (PGR) entrou com pedido de prisão preventiva contra ela, alegando que sua saída do país representa risco concreto à aplicação da lei penal, à ordem pública e às instituições democráticas brasileiras.
E mais: pede inclusão do nome dela na difusão vermelha da Interpol, bloqueio dos recursos recebidos via Pix, investigação por estelionato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além de solicitação formal de cancelamento de seu passaporte diplomático.
A Saída de Carla Zambelli: Fuga ou Estratégia de Defesa?
Zambelli não negou a saída do país. Ao contrário, assumiu publicamente que deixou o Brasil para “resistir” e denunciar internacionalmente as práticas judiciais vistas como autoritárias, principalmente aquelas ligadas ao ministro Alexandre de Moraes.
“Agora, mais do que nunca, vou poder denunciar os desmandos que a gente observa nesse país e que eu tenho ficado calada diante de uma pressão judicial que tenho sofrido. Me cansei de ficar calada, de não atender meu público.”
Essas palavras ecoam como um grito de alerta. Não só pela decisão individual da deputada, mas por revelar algo maior: há um movimento crescente de figuras públicas deixando o Brasil para buscar proteção legal e amplificar críticas internacionais ao STF.
Alan dos Santos já está nos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro também. Agora, Zambelli segue os mesmos passos, sob acusações semelhantes.
Especialistas já chamam isso de “exílio digital” — um fenômeno onde cidadãos brasileiros, muitas vezes com foro privilegiado, sentem-se ameaçados dentro do próprio país e buscam refúgio fora das fronteiras.
O Pedido da PGR: Prisão Preventiva Baseada em... O quê Exatamente?
O pedido foi feito pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e endossado pela PGR. Ele afirma que Zambelli teria saído do país sem comunicar oficialmente o STF, o que caracterizaria tentativa de fuga da jurisdição brasileira.
“Logo após a condenação, a representada evadiu-se do território nacional, sem comunicação ao STF, e passou a ser mantida fora do alcance da jurisdição penal.”
Só que aqui surge a primeira pergunta: quando uma pessoa condenada sai do país antes de perder o foro, isso é fuga ou exercício legítimo do direito à livre circulação?
E mais: como você pede prisão preventiva de alguém que nem está mais no país? E ainda solicita interceptação de recursos financeiros via Pix, num momento em que não há crime definido por lei que puna esse tipo de movimentação?
É exatamente isso que especialistas estão questionando. Porque essa medida parece menos um esforço de cumprir a lei e mais um golpe simbólico para intimidar quem pensa diferente.
A Condenação no STF: Um Caso de Invasão ou de Guerra Judicial?
Zambelli foi condenada pela Primeira Turma do STF a 10 anos e 8 meses de prisão, em regime inicial fechado, por supostamente ter participado de um esquema envolvendo o hacker Walter Delgatti Neto, que teria invadido sistemas do CNJ em janeiro de 2023.
Ela também foi condenada à perda do mandato parlamentar e inelegibilidade por 8 anos, embora essas medidas dependam da análise da Câmara dos Deputados, que só pode cassar seu cargo após trânsito em julgado.
Em sua defesa, Zambelli tem sido clara:
“Sou vítima de uma perseguição política que atenta não apenas contra minha honra pessoal, mas também contra os princípios mais elementares do Estado de Direito.”
Especialistas dizem que a forma como o processo foi conduzido levanta dúvidas sobre a imparcialidade do tribunal, especialmente quando muitas provas foram recortadas, sem contexto completo, e usadas como base para condenações.
A Nova Frente de Batalha: Quando o STF Vira Alvo Internacional
Agora, com Zambelli na Europa, e prometendo levar seu caso às Cortes europeias, o governo Lula e o ministro Alexandre de Moraes parecem estar ainda mais tensos.
Eles já viram Alan dos Santos fazer isso. Já viram Eduardo Bolsonaro usar redes sociais estrangeiras para expor abusos do Judiciário. E agora, com Zambelli somando-se a essa lista, o cerco internacional começa a se fechar.
E, ironicamente, o STF responde com prisões, multas e bloqueios de contas, numa estratégia que já rendeu processos nos EUA e críticas da União Europeia sobre violações de liberdade de expressão e soberania digital.
A Comparação com Eduardo Bolsonaro: Uma Tática Recorrente
Lindbergh Farias comparou diretamente a saída de Zambelli com a de Eduardo Bolsonaro, alegando que ambos fazem parte de uma “trama golpista continuada”, que busca construir apoio internacional contra ministros do Supremo.
“A peça jurídica sustenta que a conduta de Zambelli configura ameaça grave e reiterada à soberania nacional e à ordem constitucional.”
Mas novamente, surge a dúvida: será que fazer contato com senadores americanos e denunciar excessos do STF é realmente uma ameaça à ordem constitucional? Ou será que isso é apenas o uso legítimo de direitos garantidos a qualquer cidadão brasileiro no exterior?
Especialistas alertam: se você criminalizar vozes dissidentes que vivem fora do país, vai acabar perdendo legitimidade perante o mundo.
O caso de Carla Zambelli não é só mais uma enquete ou discurso inflamado. É um retrato de um país dividido, onde ministros do STF parecem ter perdido o limite entre justiça e controle ideológico.
Seja na prisão, seja nas redes sociais, o povo brasileiro assiste perplexo. Ele vê ministros agirem como políticos, juízes perseguirem dissidentes e governos transformarem justiça em vingança.
O pedido da PGR contra Carla Zambelli marca mais um passo nesse caminho autoritário, onde quem discorda é automaticamente considerado inimigo do Estado.

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