Moraes Marca Depoimentos de Bolsonaro e Mais 7 Réus Por Suposta Tentativa de Golpe.


Na próxima segunda-feira (9), uma das figuras mais polêmicas do cenário político-jurídico brasileiro vai enfrentar, de forma direta, o tribunal mais alto do país. O ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus, entre eles Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Anderson Torres, serão ouvidos no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a suposta tentativa de golpe de Estado em 2022.


O ministro relator do caso, Alexandre de Moraes, marcou os depoimentos para ocorrerem na sala de audiências da Primeira Turma do STF, num processo que promete ser um dos mais tensos da história recente do Judiciário brasileiro.


Quem Será Ouvido Primeiro? A Delação Que Pode Mudar Tudo

O primeiro interrogatório será o do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que assinou um acordo de delação premiada dentro do inquérito. Ele será ouvido às 14h, e seu depoimento pode trazer novas revelações sobre conversas, reuniões e documentos que embasam a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).


Cid é considerado peça fundamental por ter estado fisicamente ao lado de Bolsonaro nos dias que antecederam a posse de Lula. Mas sua versão já foi contestada antes. E agora, diante do plenário do STF, ele terá que responder sob juramento — e isso pode gerar contradições com suas declarações anteriores.


A Ordem dos Réus: Quem Vai Falar Depois de Cid?

Depois de ouvir Cid, os demais réus serão interrogados por ordem alfabética, em sessões presenciais na sede do Supremo:


Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin

Almir Garnier – ex-comandante da Marinha

Anderson Torres – ex-ministro da Justiça

Augusto Heleno – ex-ministro do GSI

Jair Bolsonaro – ex-presidente

Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa

Walter Braga Netto – ex-ministro da Casa Civil e atualmente preso

Braga Netto, o único dos acusados que está detido desde dezembro de 2024, será ouvido por videoconferência, o que levanta outra questão: como garantir ampla defesa quando o réu está atrás das grades e sem acesso pleno aos autos do processo?


Os Crimes Acusados: Golpe ou Excesso de Zelo Judicial?

Os réus respondem por acusações gravíssimas:


Organização criminosa armada

Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito

Golpe de Estado

Dano qualificado pela violência e grave ameaça

Deterioração de patrimônio tombado

Mas aqui surge o grande questionamento: esses crimes realmente existiram? Ou foram criados dentro do próprio inquérito como forma de politizar o Judiciário?


A Lei de Segurança Nacional, outrora usada durante a ditadura militar para prender dissidentes, voltou com força total no governo Lula. E, ironicamente, quem mais usa essa lei hoje é um ministro do STF, não por acaso apelidado nas redes sociais de “Xandão”, “careca” e até “ministro vingativo”.


As Testemunhas Já Foram Ouvidas — E Nenhuma Confirmou o Golpe

Antes dessa fase, 52 testemunhas foram ouvidas entre 19 de maio e 2 de junho, incluindo militares, assessores e agentes da segurança pública. E nenhuma delas apresentou provas concretas de um plano articulado para romper com as instituições democráticas.


Alguns generais chegaram a dizer que Bolsonaro estava resignado com a derrota eleitoral, emocionalmente fragilizado e fisicamente debilitado após cirurgias. Outros falaram que não houve qualquer discussão sobre intervenção militar ou decreto de sítio.


Então pergunta-se: com base em quê o STF está montando esse processo? Em teorias? Em mensagens recortadas? Em conversas isoladas sem contexto?


E Agora, Como Será o Depoimento de Bolsonaro?

O ex-presidente vai depor pessoalmente, algo raro em casos desse porte. Seu depoimento será um momento simbólico, e pode definir o rumo do julgamento.


Será que ele vai negar tudo? Vai assumir postura crítica contra o STF? Vai usar o momento para expor as pressões sofridas nos últimos anos?


Tudo isso vai determinar como o povo brasileiro vai ver esse processo. Porque se Bolsonaro conseguir mostrar inconsistências, a narrativa do golpe começa a ruir. E se ele for contraditório ou impreciso, a PGR vai usar isso como munição para pedir condenação.


O Que Vem Depois? Alegações Finais e... O Julgamento

Após todos os depoimentos, que devem terminar até sexta-feira (13), a Procuradoria e as defesas terão 15 dias para apresentar alegações finais.


Cid, por ser colaborador, falará primeiro. Depois, cada réu fará sua defesa. Só então Moraes vai escrever o relatório final e emitir seu voto. E, por fim, o caso irá à votação na Primeira Turma do STF, onde outros ministros terão que decidir se aceitam a tese do golpe ou não.


O Que Isso Significa Para o Brasil?

Este julgamento vai muito além do passado. Ele vai dizer ao mundo inteiro como o Brasil entende liberdade de expressão, direitos políticos e limites do poder judiciário.


Se o STF decidir punir alguém por discordar do sistema eleitoral ou por criticar a justiça, estará enviando uma mensagem autoritária ao exterior. Mas se reconhecer que não há crime, apenas opinião política, poderá iniciar uma mudança real no comportamento do tribunal.


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