Zambelli se Junta a Direitistas Exilados Por Embates Com a Justiça


Na terça-feira (3), uma nova peça entrou no tabuleiro político do país. A deputada federal Carla Zambelli, até então um dos maiores expoentes da direita no Congresso Nacional, anunciou sua saída do Brasil. A justificativa foi clara: perseguição judicial por parte do Supremo Tribunal Federal.


E não é só ela. Nos últimos anos, uma lista crescente de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tem deixado o país em busca de refúgio no exterior, diante de investigações e condenações por supostas violações à ordem institucional brasileira.


Agora, com Zambelli nos Estados Unidos e prestes a seguir para a Itália, o Brasil assiste ao que muitos analistas chamam de “exílio digital” um fenômeno onde figuras públicas fogem da pressão judicial e ampliam suas vozes internacionais, denunciando práticas que consideram abusivas ou autoritárias.


Por Que Carla Zambelli Saiu do País?

Zambelli foi recentemente condenada pelo STF a dez anos e 8 meses de prisão por envolvimento na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça junto ao hacker Walter Delgatti Neto. Ela também teve seu nome incluído num pedido formal de prisão preventiva feito pela Procuradoria-Geral da República, com base em supostas tentativas de obstrução de investigação.


Em uma live transmitida pelo canal Auriverde Brasil, ela afirmou:


“Estou fora do Brasil há alguns dias. Vim inicialmente para fazer um tratamento médico que já fazia aqui e agora vou pedir licença do meu cargo.” 


E explicou o porquê da saída:


“Tem essa possibilidade da Constituição, acho que as pessoas conhecem melhor hoje porque foi o que Eduardo Bolsonaro fez também.” 


Sua decisão parece ser mais do que médica. É estratégica. E é simbólica. Por quê?


Porque ela sai sob acusações pesadas, mas sem provas concretas de crime organizado ou atentado à segurança nacional, e vai buscar respaldo internacional para contestar o processo no qual está inserida.


O Que Diferencia Seu Caso dos Outros Exilados?

Enquanto Alan dos Santos, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro deixaram o Brasil sob acusações ligadas a discursos políticos e articulações com senadores americanos, o caso de Zambelli é diferente.


Ela foi condenada por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica, crimes que, segundo os promotores, envolvem a inserção de um mandado falso de prisão contra Alexandre de Moraes, ministro do STF, no sistema do CNJ. Alega-se que isso teria como objetivo desacreditar o Judiciário e gerar instabilidade institucional.


Mas surge a pergunta:


“Será que esse tipo de ação realmente configura crime? Ou apenas discordância política com métodos mal interpretados?” 


Especialistas dizem que essa linha entre crítica política e crime cibernético ainda é muito tênue, especialmente quando não há evidências claras de dolo ou prejuízo real às instituições.


Quando a Justiça Vira Arma de Controle: O Caminho Trilhado pelos Exilados

Zambelli não é a primeira nem será a última. Já estão no exterior:


Eduardo Bolsonaro, deputado licenciado e filho do ex-presidente

Alan dos Santos, jornalista formado e com diploma reconhecido

Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo

Oswaldo Eustáquio, ex-jornalista preso no Brasil e atualmente refugiado na Espanha

Todos eles saíram sob diferentes razões, mas unidos por uma causa comum: a sensação de que o STF virou braço político do governo Lula, e que ministros como Alexandre de Moraes usam o cargo para punir quem pensa diferente.


E cada vez mais, esses nomes ganham força lá fora, com apoio de parlamentares americanos, processos jurídicos em tribunais estrangeiros e até mesmo campanhas nas redes sociais exigindo sanções contra o próprio ministro.


Será Que a Itália Vai Entregar Carla Zambelli?

Apesar de ter cidadania italiana, Zambelli não pode assumir que estará intocável no país europeu. O tratado de extradição entre Brasil e Itália, assinado em 1993, permite que condenados com penas superiores a um ano sejam cumpridas com base na legislação dos dois países.


O caso mais emblemático disso foi o de Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil, extraditado com base em convenções anticorrupção firmadas por ambos os países.


Mesmo assim, a Itália raramente entrega seus cidadãos por crimes de natureza política, algo que pode beneficiar Zambelli. Mas o grande ponto de interrogação é este: como os italianos vão enxergar esse caso? Como crime ou como repressão política?


Se for visto como o primeiro, ela pode enfrentar problemas legais reais. Se for considerado o segundo, ela terá um caminho mais tranquilo para continuar sua luta internacional.


O Cientista Político Paulo Kramer e a Visão de Perseguição Jurídica

Para o cientista político Paulo Kramer, a saída de Zambelli é parte de um movimento maior de criminalização da oposição no Brasil.


“A saída de Zambelli é mais um tiro que o condomínio de poder entre a juristocracia e o governo de esquerda dá no próprio pé, engordando a legião de brasileiros que denunciam no exterior as perseguições e os desmandos de que conservadores têm sido vítimas.” 


Kramer chama atenção para o fato de que cada vez mais figuras públicas buscam proteção fora do país, não por medo da lei, mas por receio de uma justiça que age com parcialidade.


Isso gera outro questionamento:


“Quando um deputado eleito democraticamente sente-se ameaçado dentro do próprio país, o que isso revela sobre a saúde das instituições brasileiras?” 


É uma pergunta difícil de ignorar, especialmente quando Lula e Moraes insistem em falar de democracia, mas seus críticos seguem buscando refúgio internacional.


O Jornalismo de Allan dos Santos e o Processo que Assusta o STF

Allan dos Santos, dono do site Timeline, vive legalmente nos Estados Unidos desde 2020. Mas isso não impediu que o STF tentasse alcançá-lo com ordens monocráticas ilegais.


Moraes chegou a determinar bloqueio de contas, cassação de passaporte e até multas bilionárias contra Raquel de Oliveira, ex-representante do X no Brasil, por não entregar dados do jornalista.


A resposta americana foi imediata: processos judiciais movidos pela Rumble e pela Trump Media & Technology Group Corp., exigindo indenizações por danos morais e materiais causados pelas ordens ilegais emanadas do STF.


“As empresas não são obrigadas a obedecer ordens que violem a Primeira Emenda”, disse um juiz americano em resposta a Moraes. 


Esse é o novo campo de batalha. Brasil x EUA, com o STF no centro do conflito.


O Caso de Oswaldo Eustáquio: Quando a Europa Começa a Julgar o STF

Outro nome que se destaca é Oswaldo Eustáquio, jornalista e influente figura bolsonarista. Ele chegou a ser preso no Brasil em 2020, mas fugiu após descumprir medidas cautelares.


Hoje, vive na Espanha, onde já enfrentou dois pedidos de extradição — ambos negados. A justificativa dos espanhóis foi clara:


“A acusação contra ele é de natureza política.” 


Isso levanta outro ponto crucial: será que o mundo está começando a ver o STF como órgão político, e não como instância imparcial?


Eustáquio, com status de refugiado, continua produzindo conteúdo político e mantém contato com parlamentares europeus, denunciando abuso de poder, falta de liberdade de expressão e judicialização da política no Brasil.


Adriano Cerqueira e a Análise do Clima de Intolerância

O professor Adriano Cerqueira, do Ibmec de Belo Horizonte, já classifica o ambiente político-judicial como crescentemente intolerante.


“É preocupante ver deputados da oposição sofrendo condenações ou ameaças de prisão. Eles optam por se exilar, pedindo licença do cargo, para continuar sua missão longe do alcance do STF.” 


Essa visão ecoa entre setores acadêmicos e jurídicos que acompanham de perto a situação brasileira. Há um movimento de cerco à direita, e esse cerco tem sido conduzido principalmente por ordens monocráticas e decisões rápidas do STF.


E, ironicamente, quanto mais o tribunal tenta silenciar essas vozes, mais elas se espalham pelo mundo.


André Marsiglia e a Crítica ao Uso Seletivo da Lei

O advogado constitucionalista André Marsiglia afirma que há um uso seletivo da lei no Brasil, especialmente contra parlamentares de direita.


“Sem dúvida, há um cerco à direita. Basta olharmos quais parlamentares tiveram direitos políticos cassados ou mandatos perdidos. A maioria é de direita. De esquerda, quase ninguém.” 


Ele destaca que muitas dessas punições se baseiam em discursos, publicações e alegações de fake news, temas que ainda não têm definição legal clara no Brasil, e que estão sendo usados como pretexto para calar opositores.


E isso explica por que Zambelli e outros seguiram para fora do país. Não por medo da prisão — mas por quererem falar livremente, sem risco de represálias arbitrárias.


Será Que o Brasil Está Caminhando Para Um Estado Autoritário?

A entrada de Carla Zambelli nessa lista de exilados políticos põe o Brasil sob mais escrutínio internacional. Enquanto Lula viaja à França para falar de democracia e meio ambiente, o país perde figuras públicas que preferem buscar proteção fora do território nacional.


Especialistas chamam isso de “ditadura tecnológica”, onde ministros do STF usam o cargo para controlar o fluxo de informação, punir críticos e criminalizar a oposição.


E quanto mais o STF tenta blindar Moraes, mais ele se expõe internacionalmente.


Com a saída de Carla Zambelli, o Brasil marca mais um capítulo dessa guerra de narrativas, onde ministros do STF parecem estar usando a toga como escudo ideológico, e empresas internacionais começam a ver o país como um mercado instável e politizado.

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