Cilada à Vista: A Nova Estratégia do STF para Sabotar a Anistia


Imagine o seguinte cenário: após meses de intensas batalhas políticas, com uma população cada vez mais polarizada e indignada, surge uma aparente luz no fim do túnel — uma proposta de anistia para os envolvidos nos eventos de 8 de janeiro. Mas, no momento em que os ventos políticos parecem soprar para esse lado, uma nova narrativa começa a ganhar corpo. Uma armadilha se forma nos bastidores. E ela tem origem no lugar que deveria ser o guardião maior da Constituição: o Supremo Tribunal Federal.


Uma cortina de fumaça?

Se você acompanha o jogo de poder em Brasília, já sabe que nada é exatamente o que parece. E quem acompanha esse canal também já foi alertado, com antecedência, sobre os movimentos silenciosos que se desenham nos corredores do STF.

A grande jogada da vez foi revelada pela jornalista Malu Gaspar, em coluna publicada n’O Globo. Ali, ela expõe a visão de lideranças do Congresso que, em conversas reservadas, passaram a enxergar um “cenário favorável” dentro do STF. Favorável a quê? À redução de penas. Isso mesmo. Parlamentares acreditam que há disposição entre ministros da Suprema Corte para reavaliar as condenações dos réus do 8 de janeiro.

Mas aqui começa a cilada.


Redução de penas em troca da anistia?

A pergunta é inevitável: seria essa redução de penas um gesto de boa vontade? Um aceno de reconciliação institucional?

A resposta, infelizmente, parece estar muito longe disso. Segundo a análise trazida no vídeo, essa movimentação seria parte de uma estratégia calculada para esvaziar politicamente a anistia. Uma tática para enganar parlamentares, neutralizar a pressão popular e manter o controle da narrativa jurídica.

E aqui vale refletir: desde quando justiça é feita como barganha?

Não se trata de rever penas porque houve uma revisão técnica ou uma nova interpretação jurídica legítima. Trata-se de lançar mão de uma possível redução como isca — como uma espécie de moeda de troca — para frear o avanço da anistia no Congresso.

Mas será que isso faz sentido?


A pressão internacional e o caso Débora

Para entender a real motivação por trás dessa manobra, é preciso observar o que está acontecendo fora do Brasil. Um exemplo emblemático é a matéria publicada pela revista The Economist, que não poupou críticas à atuação do STF nos julgamentos dos réus do 8 de janeiro. O artigo não se limitou a Alexandre de Moraes, mas se estendeu a outros ministros como Gilmar Mendes, Toffoli e Barroso. A repercussão internacional abalou — e muito — a imagem da Corte.

Some-se a isso a revolta crescente da sociedade brasileira, intensificada pelo caso da cabeleireira Débora Rodrigues, que virou símbolo do abuso de autoridade. Débora foi condenada a mais de 17 anos de prisão por pichar com batom uma estátua em frente ao prédio do STF. A desproporcionalidade da pena chocou até setores tradicionalmente simpáticos ao Supremo. Como sustentar essa narrativa?

Eles não conseguem mais. Nem a imprensa tradicional está disposta a bancar essa versão por muito tempo. O STF sabe disso. E por isso, cedo ou tarde, teria que rever as penas de qualquer forma — com ou sem anistia.

É por isso que essa tentativa de vender a redução como “favor político” soa tão manipuladora. Eles já estavam encurralados. Só querem transformar uma obrigação em vantagem estratégica.


A inversão da força

Durante muito tempo, o STF se comportou como a parte dominante da equação, impondo interpretações extensivas da lei, censuras, prisões preventivas indefinidas e penas duríssimas. Mas agora, a maré virou. O próprio ambiente político, nacional e internacional, não tolera mais esses exageros.

É por isso que aceitar essa falsa generosidade do STF como moeda de troca seria um erro fatal.

E é nesse momento que surge a questão central: por que negociar com quem está acuado?

Quem está fraco na mesa não faz exigências. E nesse xadrez, o Supremo é quem está no xeque.


Os nomes da discórdia

Como parte da encenação, o STF deixou vazar — via interlocutores no Congresso — uma lista de ministros que estariam “dispostos” a rever as penas. Os nomes citados: Cássio Nunes Marques, André Mendonça, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Luiz Fux.

Mas essa composição levanta mais suspeitas do que esperanças.

Gilmar Mendes, por exemplo, é apontado como um dos maiores aliados de Moraes. Um ministro que deu mais de 14 entrevistas condenando a anistia, criticando abertamente qualquer tentativa de reverter as punições. Será que alguém realmente acredita que ele, de repente, mudou de lado?

E Dias Toffoli, figura conhecida por seu alinhamento histórico ao PT e por tentar reconquistar o apoio de Lula, faria algo que contrariasse diretamente os interesses do Planalto?

A dúvida é legítima. E precisa ser feita em voz alta: essa suposta boa vontade é real ou encenada?


Uma tentativa de sabotagem silenciosa?

Quando analisamos o cenário com calma, a impressão que fica é de que tudo isso não passa de uma jogada para sabotar a mobilização pró-anistia. A intenção seria criar a ilusão de que “o pior já passou”, que “as penas vão cair”, e que “não é preciso mais pressionar o Congresso”.

Ou seja: desmobilizar a sociedade. Desarticular o apoio popular. Esvaziar o clamor público.

Mas se há algo que os últimos anos nos ensinaram, é que nada acontece em Brasília sem pressão popular. E justamente por isso, essa tentativa de iludir a opinião pública com promessas vazias precisa ser desmascarada.


Justiça ou política?

Aqui entra uma das reflexões mais profundas desse caso todo. Pode um tribunal constitucional aplicar penas de acordo com o vento político?

A justiça, por definição, deve ser cega — cega para partidos, para conveniências, para repercussões midiáticas. Mas no Brasil de hoje, o que se vê é um tribunal que atua como agente político, que dá entrevistas, que antecipa votos pela imprensa, que interfere em decisões do Congresso e que agora tenta usar a redução de penas como arma de negociação.

Isso é justiça? Ou é ativismo travestido de toga?


O que fazer agora?

Diante desse quadro, a resposta não pode ser outra: é preciso manter a mobilização pela anistia. Não se pode cair na armadilha de trocar a luta coletiva por uma promessa vazia de alívio individual.

Porque, no fundo, essa batalha não é apenas pelos réus do 8 de janeiro. É uma luta pelo Estado de Direito.

Aceitar esse tipo de chantagem institucional é permitir que a justiça seja usada como ferramenta política. É admitir que sentenças possam ser moldadas conforme a conveniência do momento. É legitimar a instrumentalização do Judiciário.

E é por isso que a anistia precisa avançar. Não como um perdão indiscriminado, mas como uma resposta política à distorção jurídica que se instaurou.


E você? Vai aceitar a cilada?

Agora, eu te convido a fazer uma pausa. Respira fundo. Dá um passo atrás e observa esse cenário como um todo.

Pense: pode um tribunal manter a coerência se aplica penas conforme o vento político? Pode haver justiça onde há seletividade, censura, ameaças e prisões preventivas indefinidas?

A resposta está em você.

Esse canal existe para abrir espaço para esse tipo de reflexão. Para que a gente, como sociedade, se posicione. Para que a gente não aceite passivamente a manipulação dos fatos, a inversão dos papéis, a construção de narrativas fabricadas.

Porque se você não levantar a voz agora, amanhã pode ser você o silenciado. A justiça, quando não é justa para todos, é só poder concentrado nas mãos de poucos.


Agora eu quero ouvir você.

O que você achou dessa nova estratégia do STF para esvaziar a anistia?
Na sua opinião, a quem serve esse tipo de manobra?
Você acredita que ainda há espaço para uma justiça imparcial no Brasil?

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