Em meados de maio de 2025, uma nova pesquisa da AtlasIntel, realizada em parceria com a Bloomberg, trouxe à tona um cenário inesperado para o governo Lula. Segundo os dados divulgados na sexta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva empataria tecnicamente com Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2026 — e perderia, claramente, para Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, dois nomes que ganham força dentro do campo bolsonarista.
O levantamento ouviu 4.399 pessoas por recrutamento digital aleatório, com margem de erro de 1 ponto percentual e grau de confiança de 95%. Os resultados são um retrato fiel da insatisfação crescente entre os brasileiros com a gestão atual, marcada por prejuízos bilionários nas estatais, aumento da carga tributária e escândalos de corrupção.
Empate Técnico com Bolsonaro: Um Sinal de Alerta para o PT
Na simulação de segundo turno contra Jair Bolsonaro, Lula aparece com 45,5% dos votos, enquanto o ex-presidente tem 47,5%. Considerando a margem de erro de 1%, trata-se de um empate técnico.
Esse resultado é significativo, especialmente quando se leva em conta que Bolsonaro ainda é considerado inelegível pela Justiça Eleitoral. Mesmo assim, sua intenção de voto ultrapassou a do presidente atual, o que mostra o quanto o desgaste do governo está afetando sua base tradicional.
E mais: Bolsonaro subiu 2 pontos desde a última pesquisa, o que indica que o sentimento de frustração com o atual governo está trazendo de volta eleitores que já haviam migrado para outras opções.
Derrota para Michelle Bolsonaro: A Nova Carta na Manga do Campo Conservador
Um dos grandes destaques da pesquisa é o nome de Michelle Bolsonaro, que lideraria o segundo turno contra Lula com 49,8% dos votos, contra 45,3% do petista.
Esses números mostram como a imagem de Michelle cresceu nos últimos meses, especialmente após seu papel como ex-primeira-dama e articuladora política nos bastidores do Palácio da Alvorada durante o primeiro mandato de Bolsonaro.
A ex-primeira-dama, que tem mantido perfil discreto mas constante, começou a ser vista como uma alternativa menos polarizada do que o próprio ex-presidente, o que pode explicar seu crescimento perante ao eleitorado moderado.
Se ela decidir mesmo concorrer, será uma candidatura com grande potencial de atrair não só o eleitorado bolsonarista, mas também parte do centro e até alguns setores da direita que buscam uma saída institucional para a crise.
Tarcísio de Freitas Surpreende e Ameaça Lula em 2026
Outra surpresa da pesquisa é Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo pelo Republicanos, que aparece como um dos principais adversários de Lula em 2026.
No cenário simulado de segundo turno, ele alcançaria 48,9% dos votos, contra 45,1% do presidente, um índice que demonstra a popularidade crescente do governador paulista, apesar de ele ter declarado publicamente que não pretende disputar a presidência e sim buscar reeleição no estado mais importante do país.
Mas esse dado revela algo maior: o povo brasileiro está começando a valorizar figuras políticas que fizeram parte do governo anterior, e que agora têm chance de oferecer uma narrativa diferente da polarização PT vs. Bolsonaro.
E isso preocupa o Planalto. Porque Tarcísio não só é visto como competente, mas também como alguém que entende de economia real, algo que Haddad e Guedes parecem desconhecer.
No Primeiro Turno, Lula Mantém Vantagem — Mas a Disputa Fica Apertada
Nos cenários estimulados do primeiro turno, Lula segue na frente, mas com índices menores do que o esperado para um presidente em exercício.
Lula vs. Tarcísio:
Lula: 44,1%
Tarcísio: 33,1%
Caiado, Marçal, Ciro e outros somam 12,8%
Lula vs. Michelle:
Lula: 44,4%
de Freitas: 33,5%
Zema, Ratinho Jr., Ciro e outros somam 12,1%
Isso mostra que a polarização ainda existe, mas ela começa a se fragmentar. O eleitorado que antes era claramente lulista ou bolsonarista agora parece estar mais aberto a novas opções, especialmente aquelas que prometem renovação sem radicalismo, como Tarcísio de Freitas.
Cenário Sem Lula ou Bolsonaro: Haddad e Tarcísio Dividem o Primeiro Lugar
O mais interessante da pesquisa é o cenário sem Lula e sem Bolsonaro, onde Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad aparecem empatados na primeira colocação, com 33,7% e 33% respectivamente.
Isso significa que, caso nenhum dos dois líderes históricos decida concorrer, o Brasil vivencia uma nova fase da corrida eleitoral, onde novos nomes podem emergir como protagonistas.
Mas há algo curioso: Ciro Gomes, historicamente uma figura relevante da esquerda, tem apenas 8,1% de intenção de voto, o que reforça que sua influência diminui cada vez mais.
Por Que Lula Está Perdendo Força?
A resposta está nos números do dia a dia. A Petrobras registrou prejuízo de R$ 17 bilhões no último trimestre, fruto de uma decisão do Ministério da Economia de segurar artificialmente os preços dos combustíveis, mesmo com custos internacionais altos e pressão sobre os cofres públicos.
Além disso, o INSS enfrenta rombo de R$ 1,5 bilhão, decorrente de fraudes identificadas pelo TCU. E os Correios acumulam prejuízo de R$ 2,6 bilhões, com serviços degradados e funcionários sem plano de saúde.
Enquanto isso, Lula insiste em medidas populistas, como taxação do PIX e controle ideológico de redes sociais, o que não resolve os problemas estruturais do país, mas agrava a tensão política.
O Crescimento de Tarcísio de Freitas: Quando a Administração Real Vira Diferencial
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, vem ganhando destaque não só por seu trabalho local, mas por suas posições firmes e isentas diante da guerra judicial travada pelo STF.
Ele foi uma das poucas vozes próximas a Bolsonaro que negou qualquer envolvimento do ex-presidente com tentativas de ruptura institucional, o que desmontou parte da narrativa criada por Alexandre de Moraes.
Além disso, ele tem evitado polêmicas desnecessárias, mantendo foco na infraestrutura e na retomada econômica do estado mais rico do país.
E, ironicamente, esse comportamento racional e distanciado da guerra jurídico-midiática está lhe rendendo dividendos eleitorais, o que explica seu crescimento de 3,8% na comparação com abril.
Michelle Bolsonaro: A Mulher que Pode Substituir o Exército de Apoio de Jair
Michelle Bolsonaro é outro nome que ganha corpo como alternativa viável. Ela não tem experiência executiva, mas tem presença nacional e reconhecimento público, o que é fundamental em campanhas modernas.
Sua imagem é menos polarizadora do que a de Bolsonaro, e seu discurso, embora alinhado com o conservadorismo, evita ataques pessoais e busca respeitar as instituições.
Especialistas já apontam que ela poderia ser uma ponte entre o bolsonarismo e o centrão, o que daria a ela maior flexibilidade eleitoral do que o próprio ex-presidente.
A Realidade da Pesquisa e o Futuro Incerto para Lula
A pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg não deixa dúvidas: o governo Lula está perdendo força eleitoral, e enfrenta um cenário cada vez mais competitivo em 2026. Seja contra Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas, o presidente vê sua base de apoio se estreitar, num momento em que a população clama por soluções reais e não por narrativas polarizadas.
O desgaste é resultado de uma série de fatores — a pressão econômica, a insatisfação com medidas populistas e a percepção de que o país caminha para uma maior judicialização da política. E, ao contrário do que tentam passar os veículos alinhados ao governo, essa desaprovação não nasce de uma guerra ideológica ou de fake news, mas sim da realidade vivida pelo brasileiro médio, que paga mais impostos, convive com serviços públicos piores e vê seu poder de compra reduzido ano após ano.
Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro emergem como nomes capazes de atrair eleitores de diferentes perfis, inclusive aqueles que já não acreditam mais no projeto petista. Isso mostra que o campo político está se ampliando, e que o futuro da disputa presidencial ainda é incerto.
Lula precisa entender que não basta prometer gasolina barata ou fazer discursos inflamados sobre reconstrução nacional. O povo quer resultados concretos, transparência e respeito às instituições. E, até agora, o que se vê é justamente o oposto: um governo que parece mais focado em controlar a informação do que em resolver problemas reais.
Se Alexandre de Moraes realmente está usando o Judiciário como arma de intimidação, isso só reforça a preocupação do eleitorado com a falta de liberdade de expressão e a judicialização excessiva da política. O Brasil precisa de uma Justiça isenta, e não de ministros que se comportam como políticos travestidos de juízes.
Enquanto isso, a sociedade assiste perplexa. Cada nova investida do STF, cada manobra para coagir empresas internacionais, só aumenta a desconfiança sobre as práticas judiciais no país. E o pior é que esse jogo político pode afetar negativamente o futuro da democracia brasileira.
Se nada mudar nos próximos meses, Lula corre sério risco de perder terreno na corrida pela reeleição. E, ironicamente, ele próprio tem sido o principal responsável por esse enfraquecimento, com decisões econômicas questionáveis e uma postura autoritária que assusta tanto dentro quanto fora do país.
O que resta agora é ver como a oposição vai se organizar e se o Congresso terá coragem de fiscalizar o STF, antes que a situação saia completamente do controle. Porque enquanto a justiça continuar sendo usada como caneta de vingança, o Brasil seguirá dividido, sem rumo e sem esperança de mudança real.
E quem paga o preço disso tudo? O povo brasileiro.

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