O almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, negou nesta terça-feira ter colocado tropas à disposição do ex-presidente Jair Bolsonaro para qualquer tentativa de golpe de Estado. Ele prestou depoimento no Supremo Tribunal Federal, respondendo diretamente a acusações feitas por outros militares, como o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército.
Gomes afirmou que Garnier teria dito que os fuzileiros navais estavam “prontos” para atuar em alguma operação contra as instituições. Também teria sido ele quem disse que as tropas estavam “à disposição” de Bolsonaro. O almirante rebateu essas declarações:
“Eu nunca falei isso. Não condiz com a verdade.”
Ele também afirmou que nunca recebeu nenhum pedido do presidente Bolsonaro para participar ou apoiar qualquer plano ilegal ou golpista. E destacou que os depoimentos de alguns generais envolvidos têm “grandes equívocos”.
Número de fuzileiros é contestado
Um dos pontos levantados pelo almirante foi a utilização de dados incorretos sobre o efetivo de fuzileiros navais. Segundo ele, os números apresentados por outros depoentes foram manipulados para dar sustentação às acusações.
“Na minha gestão, tínhamos 17 mil fuzileiros. Hoje, são cerca de 15 mil. Nunca foram 14 mil, como falou Batista Júnior”, explicou Garnier, referindo-se ao ex-comandante da Aeronáutica.
Segundo o almirante, Batista teria usado essa informação errada para montar parte do seu relato, baseando-se em dados encontrados na internet:
“Ele tirou isso do Google. Isso mostra que parte do depoimento foi inventada.”
Militares não receberam ordens ilegais, diz Garnier
Ao final do depoimento, Garnier reforçou que nenhum comando militar recebeu ordem ilegal durante o governo Bolsonaro — nem do presidente, nem de seus auxiliares mais próximos.
Ele também negou que os militares tenham manifestado interesse ou apoio a qualquer ação que colocasse em risco a Constituição ou os Poderes do país.
O depoimento do almirante Garnier trouxe dúvidas sobre a veracidade de algumas das versões já apresentadas no inquérito do suposto golpe. Ao negar ter dado qualquer sinal de apoio a Bolsonaro e questionar a origem de dados usados contra ele, Garnier indicou que há contradições nos depoimentos de outros réus . Para o cidadão comum, o caso mostra como é difícil entender o que realmente aconteceu naquele período conturbado. As acusações se cruzam, os fatos mudam de uma versão para outra e cabe ao tribunal decidir o que é verdadeiro. Até lá, cada um dos envolvidos tenta mostrar que não estava do lado errado da história.

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