Economista Alerta: Sem Corte de Gastos, País Pode Enfrentar Colapso em Breve


O economista Felipe Salto, da Warren Investimentos, afirmou que o Brasil corre sério risco de colapso na máquina pública já em 2026 se o governo não conseguir controlar os gastos. O alerta veio após o anúncio do novo pacote fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início deste mês.


Segundo Salto, a revisão dos chamados "gastos tributários" ou seja, isenções e benefícios fiscais — é um passo importante. Mas ele destaca que sem reduzir as despesas públicas , as medidas anunciadas não serão suficientes para resolver a crise fiscal.


Em entrevista ao jornal Estadão , Salto cobrou ações mais firmes do Congresso Nacional, considerado essencial nesse momento:

“Se não fizermos nada, o país vai parar. Essa é a realidade.”


Ele explicou que não aprovar mudanças significativas pode obrigar o governo a mudar suas metas econômicas, o que afetaria diretamente os juros e traria mais dificuldades para famílias e empresas.


O que o pacote de Lula prevê?

Salto reconheceu que houve avanço em relação à proposta inicial de aumento do IOF, elogiando o esforço do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por tentar organizar as contas do país.


Mesmo assim, ele criticou o fato de o Congresso ter mantido intactos os gastos com emendas parlamentares recursos destinados por deputados e senadores a projetos específicos. Isso, segundo o economista, mostra que o Legislativo ainda não assumiu seu papel fundamental na solução da crise.


Quanto à arrecadação, Salto ressaltou que há dúvidas sobre quanto dinheiro realmente entrará nos cofres públicos com as novas taxações, especialmente sobre casas de aposta. Além disso, muitas dessas medidas só começarão a valer em 2026, por causa das regras fiscais que exigem anterioridade tributária ou seja, impostos novos só podem ser cobrados no ano seguinte ao da aprovação.


A revisão dos benefícios fiscais, avaliada em cerca de R$ 250 bilhões , foi destacada como a principal medida do pacote. Segundo ele, cortar 10% desse valor algo em torno de R$ 25 bilhões seria um começo. Outras mudanças, como o aumento do Imposto de Renda sobre lucros e dividendos de 15% para 20%, também foram mencionadas, mas são vistas como insuficientes.


Pacote tem impacto fraco no curto prazo

Para 2025, o governo continuará dependendo do IOF para fechar as contas, já que a maioria das medidas só começa a funcionar no ano seguinte. E isso pode ser um problema, já que será preciso economizar R$ 46,8 bilhões no próximo ano para evitar o rombo nas contas públicas.


“Essas medidas ajudam, mas não resolvem”, disse Salto, lembrando que o Brasil já tem uma carga tributária alta e precisa encontrar formas de gastar menos, e não apenas cobrar mais.


Reação negativa de setores produtivos

Setores importantes da economia, como o agronegócio, criptomoedas, mercado imobiliário e fintechs, já mostraram resistência às novas taxas. A reação era esperada, já que essas áreas sentem na pele o peso do aumento de impostos.


Além disso, o economista estranhou a posição do presidente da Câmara, Hugo Motta, que afirmou que o Congresso não tem obrigação de aprovar o pacote do governo. Para Salto, essa postura mostra que muitos parlamentares querem manter verbas para seus aliados , como os R$ 52 bilhões em emendas e incentivos especiais, incluindo os da Zona Franca de Manaus.


Sem apoio político e controle efetivo dos gastos, o risco de um colapso fiscal aumenta cada vez mais.


Crescimento menor e pressão sobre os cofres públicos

Salto projeta um crescimento modesto para os próximos anos: 2,3% em 2025 e 2% em 2026 abaixo do registrado em anos anteriores. E reforça que sem contenção de gastos, não há ajuste possível .


Ele lembra que outras tentativas de reformar o sistema fiscal no passado fracassaram por falta de unidade política. Agora, diz, é preciso aprovar pelo menos o mínimo necessário para evitar piorar ainda mais a situação.


O impacto total das medidas deve chegar a R$ 44,2 bilhões em 2026 , com R$ 30 bilhões indo para a União . Mesmo assim, é pouco diante do tamanho da dívida pública e dos desafios do Estado brasileiro.


O diagnóstico de Felipe Salto é claro: o Brasil caminha para um possível colapso fiscal se não houver mudança mais profunda nas contas públicas. O pacote anunciado pelo governo Lula representa um passo, mas sem corte real de gastos , os problemas continuarão crescendo. Enquanto políticos travam disputas e mantêm privilégios, a conta fica maior para todos os brasileiros pagarem. O alerta é urgente: se o país não se organizar logo, o caos orçamentário pode afetar serviços essenciais como saúde, educação e segurança. É hora de escolher entre continuar adiando soluções ou enfrentar o problema de frente.

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