Após Cantoria, Barroso se Reencontrará Com CEO do iFood em Evento Com Aliados de Lula


No mundo da política brasileira, poucos nomes carregam tanto peso quanto Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal e peça central no tabuleiro judicial do país. Mas nos últimos dias, ele virou notícia não por decisões monocráticas ou inquéritos polêmicos e sim por estar cantando “Garota de Ipanema” em um jantar com empresários influentes e aliados diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


O evento foi promovido pelo Fórum Esfera, uma iniciativa do grupo Esfera Brasil, think tank que reúne empresários, políticos e juízes sob o pretexto de discutir “o que há de mais urgente para o avanço do Brasil”. Só que a lista de participantes revela algo mais complexo:


O ministro Luiz Fux

O ex-ministro Ricardo Lewandowski, hoje ministro da Justiça

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central

Aloizio Mercadante, do BNDES

Governadores como Helder Barbalho (Pará) e Raquel Lyra (Pernambuco)

E empresários com interesses diretos em julgamentos do STF

Entre eles, Diego Barreto, presidente do iFood, plataforma que aguarda decisão do Supremo sobre o reconhecimento de vínculo empregatício entre entregadores e apps de delivery. E Gustavo Pimenta, CEO da Vale, cujo julgamento sobre a incidência de IRPJ e CSLL sobre lucros internacionais será retomado nesta sexta-feira, justamente enquanto o fórum acontece.


“Será que estamos assistindo a uma simples reunião institucional... ou a um jogo de influência onde quem tem dinheiro também pode decidir o que é legal?” 


Quando Juízes e Empresários Compartilham o Mesmo Palco

O encontro entre Barroso e Diego Barreto não é novo. Em maio, os dois foram vistos em um jantar privado na casa do executivo do iFood, cercados de apoiadores de Lula e outros agentes econômicos. Na ocasião, imagens do ministro cantando causaram onda de críticas, especialmente de setores conservadores que já veem o STF como politizado.


Barroso respondeu às críticas dizendo que elas vinham da "incultura", e que quem critica não entende o papel do Judiciário nem as nuances das relações sociais entre poderes. Mas essa defesa não convenceu muitos analistas.


“É normal um ministro do STF frequentar eventos com empresas que têm processos ativos no tribunal? Ou isso é uma forma disfarçada de pressionar decisões?” 


Essa é a pergunta que ecoa em Brasília.


iFood, Vale e JBS: Empresas Que Têm O que Decidir no Supremo

O Fórum Esfera não reúne apenas debatedores casuais. Ele inclui empresas com pautas jurídicas urgentes no Supremo, e que precisam de decisões favoráveis para evitar bilhões em multas ou mudanças operacionais profundas.


O iFood, por exemplo, está envolvido em um processo que pode definir se entregadores terceirizados são considerados funcionários com direito a carteira assinada, FGTS, férias e 13º. Um desfecho contrário à empresa pode impactar diretamente o modelo de negócios de todos os apps de entrega no Brasil, gerando custos bilionários.


Já a Vale enfrenta um julgamento sobre isenção fiscal de subsidiárias no exterior, num caso que envolve R$ 22 bilhões em disputa. E a J&F, holding dos irmãos Batista, dona da JBS, tem histórico conturbado com a justiça brasileira, incluindo acordos de delação premiada e investigações por propina e manipulação de mercado.


E tudo isso está reunido num mesmo evento, com Barroso como palestrante principal.


A Nova Frente de Batalha: Quando o Lobby Vira Prática Jurídica

Esse tipo de interação entre juízes e partes interessadas em decisões judiciais cria conflitos de interesse difíceis de ignorar.


“Como você garante imparcialidade quando o ministro que vai julgar seu caso já te conhece pessoalmente, já esteve no seu jantar e até cantou Garota de Ipanema com você?” 


Essa é a dúvida levantada por um analista político de Brasília, que pediu anonimato para falar abertamente sobre o tema:


“Grande parte do lobby político acontece nesses eventos. Hoje em dia, o Judiciário decide praticamente tudo, e isso explica boa parte dos problemas do Brasil.” 


Ele ainda destacou algo crucial: o grupo Esfera Brasil não tem posição clara sobre as questões debatidas, mas oferece acesso privilegiado a quem quer influenciar decisões no topo da hierarquia judicial.


João Camargo e a Conexão com o TCU

O fundador do Esfera Brasil, João Camargo, é um nome pouco conhecido do grande público, mas extremamente influente nos bastidores do poder. Investidor bilionário, sócio da CNN Brasil e da BandNews FM, Camargo também é sogro de Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União.


Sua influência é visível. No casamento de sua filha com Dantas, no início de 2024, estiveram presentes Barroso e mais seis ministros do STF, além de figuras centrais do governo federal.


“Isso não é só networking. Isso é construção de uma rede de alianças”, disse o analista. 


E é exatamente isso que gera antecipação:


Será que esses eventos servem para troca de ideias... ou para garantir que certas vozes sejam ouvidas antes mesmo do julgamento? 



Um País Dividido Entre o Discurso de Defesa da Democracia e a Prática Autoritária

O próximo encontro entre Barroso e Diego Barreto, marcado para esta sexta-feira, marca mais um capítulo dessa guerra de narrativas, onde ministros do STF parecem estar usando a toga como escudo ideológico, e empresas internacionais começam a ver o Brasil como instável e politizado.


Especialistas chamam atenção: quanto mais o STF age assim, mais ele se expõe internacionalmente.


E aqui surge a reflexão final:


Será que estamos vivendo num país onde quem tem dinheiro consegue não só influenciar decisões do STF, mas também montar agendas paralelas de poder?

E será que esse é o verdadeiro caminho para o Brasil voltar a crescer? 

Postar um comentário

0 Comentários

Close Menu