No coração de Brasília, uma verdade inquestionável começa a se consolidar: o governo Lula não consegue mais governar sozinho. A pressão sobre o Executivo cresce a cada semana, e agora o Congresso Nacional assumiu um papel que antes era exclusivo do Palácio do Planalto, o protagonismo na definição das medidas fiscais e estruturais do país.
Tudo começou com o aumento do IOF anunciado por Fernando Haddad, ministro da Fazenda, como tentativa de resolver o rombo bilionário nas contas públicas. Só que a medida foi vista como improvisada, injusta e prejudicial ao setor produtivo brasileiro. O resultado? Rejeição quase unânime no mercado financeiro, críticas duras dos presidentes da Câmara e do Senado, e um recuo silencioso do próprio Planalto.
E diante disso, surgiu uma nova realidade política:
“Se você quer mudar o Orçamento, tem que passar pelo Congresso. E ponto final.”
O Ultimato de Hugo Motta: Quando o Tempo Vira Moeda de Troca
O presidente da Câmara, Hugo Motta, lançou um ultimato claro: Lula e Haddad teriam dez dias para apresentar uma alternativa viável ao aumento do IOF. Caso contrário, o Congresso seguiria adiante com projetos de decreto legislativo para derrubar a medida.
A justificativa?
“O aumento de impostos é uma gambiarra tributária. Não resolve nada e só piora a vida do cidadão comum.”
Motta também cobrou transparência e diálogo constante com o Legislativo, algo que não aconteceu com o anúncio repentino do IOF. Isso gerou uma onda de descontentamento entre parlamentares de todos os lados, que viram no aumento uma medida eleitoral e populista, sem base técnica ou negociação prévia.
Quanto mais o governo tenta impor medidas sem consultar o Congresso, mais ele perde poder de barganha e aprovação.
O Recuo de Haddad: Um Ministro Sem Controle Sobre o Próprio Rumo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, admitiu publicamente que errou ao não coordenar a decisão com o Parlamento:
“Precisamos mostrar ao Congresso que estamos no caminho macroeconômico mais consistente.”
Só que essa confissão veio tarde demais. A pressão internacional e doméstica já havia aumentado. Investidores começaram a duvidar da capacidade do Brasil de controlar suas finanças. E até mesmo dentro do PT, surgiram murmúrios sobre sua saída do cargo.
Enquanto isso, Lula preferiu manter distância e alfinetar Haddad indiretamente:
“Nenhuma medida pode ser anunciada sem antes falar com o Congresso.”
Isso parece ser mais do que uma correção é uma mudança estratégica de rota, onde o Executivo começa a entender que não tem mais força suficiente para impor sua agenda sem apoio parlamentar.
Quando o Governo Começa a Perder Controle: A Reforma Administrativa Como Nova Arma do Congresso
Enquanto Haddad tentava remendar a situação com propostas de antecipação de royalties do pré-sal, o Congresso partiu pra frente com outra estratégia: reforma administrativa.
Nomeando o deputado Pedro Paulo como líder de um grupo de trabalho voltado à modernização do Estado, o Legislativo deixou claro seu novo foco:
“Vamos cortar gastos, mas não com mais impostos. Vamos fazer isso pela contenção do aparelhamento estatal.”
Essa ideia ganhou força especialmente entre membros do Centrão, que já sinalizaram abertamente que não vão aceitar mais ajustes feitos apenas pelo lado da receita.
Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, analisa:
“O Congresso atua nesse impasse com um objetivo claro: garantir a execução das emendas parlamentares. Mas ele também precisa mostrar responsabilidade fiscal, para não comprometer suas próprias bases.”
Então surge a pergunta inevitável:
Será que o Congresso está realmente preocupado com o futuro econômico do país... ou apenas com as emendas que sustentam seus mandatos?
O Debate do SemiPresidencialismo: Será Que o Brasil Está Prestes a Mudar Seu Sistema Político?
Um outro movimento paralelo chama atenção: a discussão sobre a mudança para um sistema semi-presidencialista, inspirado no modelo francês, onde o presidente divide o poder com um primeiro-ministro escolhido pelo Congresso.
A PEC 2/25, que tramita na Câmara, prevê exatamente isso. E ela conta com o apoio de figuras centrais como Hugo Motta, que vê nessa reforma uma forma de limitar o peso ideológico do Executivo e ampliar a governabilidade via consenso parlamentar.
Arthur Wittenberg, professor do Ibmec-DF, explica:
“A dependência do governo em relação ao Congresso escancara a fragilidade do Executivo diante do Legislativo. Essa PEC pode ser a saída para evitar crises futuras.”
Mas há ironia nisso tudo:
Se o sistema político mudar, será o Congresso quem vai decidir quem realmente manda no Brasil.
A Guerra Por Emendas: Quem Controla o Dinheiro, Controla o Poder
Por trás dessa disputa fiscal, há uma batalha ainda maior: o controle das emendas parlamentares, que somam R$ 50,4 bilhões em 2025. Até agora, apenas R$ 23,7 milhões foram empenhados, o que gerou frustração entre parlamentares que veem no dinheiro a principal moeda de troca para manter prefeitos aliados felizes.
O problema é que Lula e Haddad insistem em priorizar investimentos e programas sociais, enquanto o Centrão prefere liberar os recursos rapidamente para suas bases eleitorais.
E surge mais uma pergunta:
Será que o Brasil está prestes a ver uma divisão entre o Planalto e o Congresso... ou o início de um novo acordo que coloca Motta e Alcolumbre no comando da economia nacional?
Diante de uma pressão sem precedentes do Congresso, Lula sente o peso de um governo que não consegue articular nem sequer uma reforma fiscal básica.
Será que estamos assistindo ao fim do lulismo? Ou apenas ao começo de um novo ciclo, onde o Congresso dita as regras e o Executivo se torna refém da própria caneta?

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