O governo federal pegou o país de surpresa. O tão aguardado anúncio do novo pacote fiscal, que prometia reequilibrar as contas públicas e substituir parte da carga tributária recente, foi adiado. E por enquanto, o aumento do IOF, imposto sobre operações financeiras permanece em vigor, mantendo a pressão sobre os brasileiros comuns
A decisão foi comunicada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após um almoço com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Segundo ele, o pacote está sendo finalizado e será apresentado na próxima semana, mas precisa passar primeiro pelo crivo das lideranças do Congresso.
“Se é necessário apresentar para os líderes, é melhor fazermos as coisas com segurança, na política, para que elas sejam sustentáveis”, afirmou Haddad.
Mas surge a pergunta:
Será que sustentabilidade é mesmo o foco do governo? Ou apenas mais uma manobra para segurar o cargo até 2026?
O Que Está Atrás do Adiamento? Pressão ou Desespero?
O pacote fiscal, que incluiria medidas como a reoneração de setores produtivos, corte de benefícios tributários e taxação de grandes fortunas, era esperado como resposta à crise do INSS, ao prejuízo bilionário da Petrobras e à crescente insatisfação popular diante do aumento dos impostos.
Só que agora, com Lula enfrentando desaprovação recorde acima de 57% segundo pesquisa Quaest e a direita crescendo nas pesquisas, o Planalto parece estar perdendo o controle do jogo político.
E isso levanta outra questão:
Será que esse adiamento não é só técnico, mas também estratégico? Será que o governo tem medo de perder apoio no Congresso se forçar medidas impopulares antes do tempo certo?
Lula Dispara Contra Isenções Fiscais: “Deficiência Cultural” ou Culpa Alheia?
Durante a coletiva, Lula voltou a criticar abertamente a cultura de isenções fiscais no Brasil, chamando-a de “deficiência cultural”. Ele disse:
“Todo benefício que você dá para o setor produtivo, para os empresários… quando você quer tirar, é muito difícil.”
E defendeu a taxação de quem ganha mais de R$ 1 milhão por ano, dizendo que “não é possível construir um país de classe média se os ricos não pagarem sua parte”.
Parece nobre. Parece justo. Mas há ironia nesse discurso:
O país perde R$ 800 bilhões por ano com isenções, muitas delas herdadas de governos anteriores — sim, inclusive de Bolsonaro.
Mesmo assim, Lula manteve quase todas essas benesses, e resolveu cobrar o povo com IOF e taxação do Pix, medidas que afetam diretamente quem vive de transações cotidianas.
Então aqui vem o questionamento:
Será que o problema não é tanto a deficiência cultural do país, mas a escolha errada de onde tirar dinheiro?
O IOF Continua Valendo E o Povo Sente na Carteira
Enquanto o pacote é refeito nos gabinetes de Brasília, o aumento do IOF segue valendo. É uma medida temporária, segundo o governo, mas já está gerando impacto real no bolso do brasileiro.
Créditos pessoais estão mais caros. Financiamentos imobiliários também. E empresas que dependem de linhas de crédito rápido já começam a sentir a diferença.
Motta, presidente da Câmara, havia dito anteriormente:
“O Brasil não aguenta mais desonerações que prejudicam a arrecadação sem compensação real.”
Ele chegou a sugerir a revogação do aumento do IOF. Mas agora parece ter feito um acordo tácito com o Executivo: vai esperar o pacote completo antes de tomar qualquer posição firme.
O que ninguém sabe é:
Se o novo pacote for igual às últimas propostas, o que realmente mudará?
A Nova Guerra entre Lula e o Congresso: Quem Vai Ceder Primeiro?
O adiamento do anúncio pode ser visto como uma vitória tática do governo ou como um sinal de fraqueza. Por quê?
Porque o clima no Congresso Nacional mudou rapidamente. Enquanto o PT tenta usar o STF como escudo ideológico, setores da direita vêm ganhando força, especialmente no Senado, onde já há sinais claros de que a maioria conservadora pode avançar em 2026.
Se o governo não conseguir articular bem suas medidas, pode perder não só apoio parlamentar, mas até mesmo a chance de aprovação de sua reforma tributária.
Quem Está Realmente na Mirim do Governo? Os Ricos ou o Povo?
Apesar do discurso inflamado, a verdade é que Lula e Haddad ainda não mostraram como vão taxar efetivamente os mais ricos.
A proposta de cobrar 10% de Imposto de Renda de quem ganha mais de R$ 1 milhão por ano parece justa, mas afeta poucas pessoas e não fecha o rombo de R$ 30 bilhões exigido para o orçamento de 2025.
Já o aumento do IOF, que atinge milhões de brasileiros, está em vigor desde maio.
“Isso é justiça social? Ou é apenas transferência de sacrifício do rico para o pobre?”
Essa é a dúvida que assombra economistas e contribuintes comuns.
Um País Entre o Passado e o Futuro Incerto
O adiamento do pacote fiscal mostra algo claro: o governo não tem consenso interno nem externo sobre o caminho a seguir. E enquanto Lula fala de taxar os ricos, ele mantém isenções bilionárias para grupos poderosos e joga a conta para o povo pagar.
Quanto mais o governo adia decisões difíceis, mais ele empurra a crise para frente, criando um ambiente de insegurança jurídica e econômica.
E o pior é que essa insegurança não atinge só os investidores. Ela chega ao dia a dia do brasileiro comum, que paga mais imposto, vê seus serviços piorarem e não sente mudança real no seu poder de compra.

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