O senador Hamilton Mourão, ex-vice-presidente e atual parlamentar do Republicanos, se viu no centro de uma nova polêmica envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ele foi intimado a prestar novo depoimento à Polícia Federal, dentro da Ação Penal 2668, que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro por supostas tentativas de interferência em processo judicial.
Tudo começou com uma reportagem publicada em 28 de maio de 2025, que revelou uma ligação entre Bolsonaro e Mourão, dias antes do depoimento do senador como testemunha no processo. Segundo a PGR, essa conversa pode ter sido uma tentativa de influenciar seu depoimento, algo que Mourão nega veementemente.
“Em momento algum fui constrangido, ameaçado ou recebi alguma insinuação que pudesse influenciar meu depoimento”, afirmou ele em nota oficial.
Por Que Moraes Quer Ouvir Mourão de Novo?
A decisão do ministro Alexandre de Moraes partiu de um pedido direto da Procuradoria-Geral da República, que apontou indícios de que Bolsonaro teria orientado Mourão a reforçar durante seu depoimento que nunca ouvira o ex-presidente mencionar ruptura institucional.
Isso gerou uma suspeita estranha: será que está sendo criminalizado o simples contato entre dois cidadãos brasileiros? Será que falar sobre política virou crime?
Mourão explicou que aceitou prestar depoimento como testemunha de defesa por gentileza, já que não havia ordens formais do STF para isso, algo incomum na jurisprudência:
“O ex-presidente entrou em contato comigo, dias antes da data marcada pelo STF, me consultando se concordaria em depor como testemunha de defesa e se na data designada pela Corte seria possível.”
E acrescentou:
“Concordei com o pedido do ex-presidente, e passei a perguntar-lhe sobre seu estado de saúde, visto que se recuperava de recente cirurgia.”
A Investigação Sigilosa: Uma Tática ou Uma Armadilha Jurídica?
Ao acolher o pedido da PGR, Moraes determinou que o novo depoimento fosse feito no prazo de 15 dias. Além disso, o processo foi classificado como sigiloso, o que levantou ainda mais dúvidas sobre os motivos reais dessa nova convocação.
O despacho também autoriza a Polícia Federal a abrir investigações adicionais, caso surjam novos elementos. Só que não há nenhuma evidência concreta de coerção ou pressão apenas a interpretação da Procuradoria de que essa ligação entre políticos poderia ser considerada interferência na justiça.
Isso significa que agora qualquer conversa entre político e advogado pode ser vista como crime?
Mourão Se Defende: “Não Fui Pressionado”
Mourão deixou claro em sua nota que sua participação no processo é legítima, e que ele prestou depoimento com liberdade plena.
“Meu depoimento foi a expressão da verdade em cada palavra, ratificando-o integralmente.”
Ele também destacou que Bolsonaro esclareceu o motivo da ligação: por conta da excepcionalidade do caso, as testemunhas indicadas pelas defesas precisariam ser contatadas diretamente pelos advogados, já que nenhuma intimação formal seria emitida pelo tribunal.
Então surge a pergunta inevitável:
Se Mourão não foi pressionado, por que a PGR insiste em vê-lo como suspeito de obstrução judicial?
Quando Contatar Testemunhas Vira Crime
Um dos pontos mais controversos desse caso é exatamente esse: qual é o limite entre comunicação legal entre advogado e testemunha ou réu e coação ao processo?
Segundo Mourão, ele apenas respondeu a um chamado de um antigo chefe de Estado, e não teve nenhum comportamento irregular.
Mas para o ministro Moraes, isso pode configurar interferência indevida na Justiça, especialmente num inquérito onde já há figuras bolsonaristas sendo investigadas por suposta articulação golpista.
Será que estamos assistindo a mais uma investida do STF para silenciar quem discorda? Ou isso é realmente uma medida necessária para garantir a lisura das investigações?
Um Brasil Dividido Entre Direito e Perseguição Judicial
A decisão de convocar novamente Mourão mostra como o clima de tensão no Congresso Nacional só aumenta, com investigações que parecem mirar tanto o conteúdo quanto a intenção política das pessoas envolvidas.
E enquanto Moraes segue usando o Judiciário como escudo ideológico, parlamentares de todos os lados começam a se perguntar até quando vão aguentar essa onda de processos sem base clara.
E você, que está assistindo, precisa pensar: será que esse tipo de investigação fortalece as instituições... ou as enfraquece?
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