Macron Critica Tentativa de Lula de Culpar Ucrânia Por Continuidade da Guerra


Em plena visita oficial à França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperava um encontro diplomático tranquilo com Emmanuel Macron, seu colega europeu. Mas o que ele não imaginava era que seria criticado publicamente por minimizar a responsabilidade russa na guerra da Ucrânia.


Durante uma entrevista coletiva transmitida ao vivo na manhã desta quinta-feira, Macron rebateu duramente a tentativa de Lula de equilibrar as culpas entre Ucrânia e Rússia, e mandou um recado claro:


“Há um agressor e há um agredido. A Rússia iniciou a guerra e não quer um cessar-fogo.” 


E isso não foi só uma correção técnica foi uma resposta direta à visão do Brasil sobre o conflito, e especialmente ao alinhamento cada vez mais próximo entre Brasil, China e Rússia, algo que preocupa governos ocidentais e tem sido rejeitado até mesmo por aliados comerciais do país.


A Frase Que Mexeu Com o Mundo Diplomático: Lula Dá Entrevista e Minimiza o Ataque Russo

Tudo começou quando Lula, durante uma transmissão ao vivo no dia anterior, comentou sobre o ataque ucraniano a bases russas com drones:


“Fiquei preocupado porque na semana passada, quando se começa a discutir a paz, houve um ataque da Ucrânia a um aeroporto, não sei onde, na Rússia.” 


Ele também citou uma fala atribuída a Donald Trump, afirmando que Putin teria dito que retaliaria contra a Ucrânia, e concluiu:


“As pessoas precisam se dar conta de que já está mais do que provada a insanidade mental da guerra.” 


Essa visão, embora apresentada como neutra, não soou como tal para os olhos internacionais. Por quê?


Porque minimizar a invasão russa como “insanidade mental” ignora o fato de que a Rússia violou diretamente a Carta das Nações Unidas, anexando territórios ucranianos e lançando ataques sistemáticos contra civis.


E Macron entendeu isso como uma tentativa de reduzir a gravidade do que ocorreu, e jogar culpa nos dois lados algo que ele considera inaceitável.


Macron Responde: "A Rússia É a Única Responsável pela Guerra"

O presidente francês não hesitou. Diante dos microfones e câmeras, ele corrigiu Lula abertamente:


“Sobre esse assunto, eu penso que a melhor orientação são as ideias simples: há um agressor, que é a Rússia, e há um agredido, que é a Ucrânia.” 


E ele foi ainda mais longe:


“Todos queremos a paz, mas os dois não podem ser tratados em pé de igualdade.” 


Isso é uma crítica direta à postura do governo brasileiro, que tem evitado condenar a Rússia de forma explícita, mantendo relações firmes com Putin, enquanto se posiciona como mediador neutro na guerra.


Mas Macron não comprou essa narrativa. Ele lembrou que a proposta de cessar-fogo feita pelos Estados Unidos foi aceita pela Ucrânia em março deste ano, em Jedda, na Arábia Saudita, mas continua sendo ignorada pelo Kremlin.


“A violação da integridade territorial foi causada pela Rússia e não pela Ucrânia. Então não podemos nos enganar. Um país violou a Carta da ONU e infelizmente faz parte do Conselho de Segurança.” 


Quando a Visão de Multilateralismo Vira Armadilha para o Brasil

Lula justificou sua posição dizendo que o Brasil defende o multilateralismo e que é preciso ouvir todos os lados. E ele também falou sobre uma iniciativa conjunta com a China, que reuniu apoio de 13 países, a maioria em desenvolvimento, para buscar uma saída negociada para a guerra.


Só que aqui surge a pergunta:


Será que o mundo realmente vê o Brasil como mediador imparcial? Ou será que nossa aproximação com a Rússia está prejudicando nossa imagem internacional? 


Macron respondeu indiretamente a isso ao afirmar que o foco deve ser fazer pressão sobre a Rússia para que ela pare a guerra, e não fingir que tudo é simétrico:


“Americanos, chineses, brasileiros e indianos devemos todos fazer pressão sobre a Rússia para que ela ponha fim a esta guerra.” 


Uma frase que parece pedir ao próprio Lula que mude seu discurso e deixe de tratar os dois lados como equivalentes.


O Acordo UE-Mercosul: Tensão Que Não Sai de Cena

Além da guerra, Lula e Macron também debateram meio ambiente e o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, tema central nas pautas econômicas do presidente brasileiro.


Lula cobrou ajuda de Macron para obter recursos de países desenvolvidos para preservar o meio ambiente, e insistiu que o acordo comercial pode ser retomado, destacando que a agricultura francesa e brasileira são complementares.


Mas Macron não cedeu. Ele reforçou que a resistência da França ao acordo é por protecionismo agrícola, e alertou que o bloco sul-americano precisa mostrar comprometimento com práticas sustentáveis.


“Se querem exportar carne e soja, precisam garantir que esses produtos não venham de áreas desmatadas após 2020.” 


E aqui entra outro questionamento crucial:


Será que Lula vai conseguir convencer os europeus de que o Brasil está pronto para ser parceiro confiável? Ou será que sua ligação política com a Rússia vai continuar manchando qualquer negociação comercial? 


Diante de uma crítica pública de Macron, Lula sente o peso de sua escolha de apoiar a Rússia num momento em que o mundo todo clama pela Ucrânia.


Será que estamos assistindo ao fim do prestígio do Brasil no exterior?

Será que a volta do lulismo ao poder significa também a volta do alinhamento automático com regimes autoritários? 


Essas são perguntas que o povo brasileiro precisa começar a fazer.

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