O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, surpreendeu ao confirmar publicamente que está na disputa pela Presidência em 2026. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele não só declarou sua pré-candidatura como também deu uma resposta direta e sem meias palavras sobre algo que até então era apenas especulação:
“Sim, daria indulto a Bolsonaro se fosse eleito presidente.”
Essa frase ecoou como um trovão no mundo político. Ela foi dada durante um momento delicado para a direita brasileira, que vê Jair Bolsonaro inelegível, Michelle Bolsonaro subindo nas pesquisas, e Tarcísio de Freitas ganhando força no Sul e Sudeste.
Mas o mais impactante é que Zema não descartou sequer ser candidato mesmo com outros nomes surgindo, e ainda afirmou:
“Sou muito mais apto a montar um time do que ser subordinado a alguém.”
Será que essa declaração muda o jogo? Ou ela apenas expõe o quanto a direita precisa urgentemente de uma liderança clara?
O Apelo da Direita: Indulto a Bolsonaro é o Novo Cartão de Visita de Zema
A ideia de conceder indulto a Jair Bolsonaro condenado no inquérito sobre os atos de 8 de janeiro de 2023 pode parecer polêmica. Mas para Zema, é parte de uma estratégia maior de alinhamento com setores conservadores do país, especialmente aqueles que veem no ex-presidente um símbolo de resistência contra a judicialização excessiva e o STF politizado.
Ele reforçou:
“Fico satisfeito de ver que a direita tem várias opções e, quanto mais opções, mais chances, diferentemente da esquerda.”
E mais:
“Continuo confiante de que o presidente Bolsonaro possa ter seus direitos políticos reconquistados e venha a ser o candidato. Se for, com toda certeza a direita vai trabalhar unida em torno do nome dele.”
Só que há um problema: Bolsonaro ainda enfrenta barreiras legais, e até agora nenhuma decisão judicial indicou que sua inelegibilidade será revertida.
Então surge a pergunta inevitável:
Será que Zema está falando de indulto por convicção ou apenas usando a figura de Bolsonaro como moeda de troca política?
Zema e a Guerra Contra Lula: Quando o Discurso de Crítica Vira Arma Eleitoral
Enquanto Lula tenta se segurar diante de aprovação abaixo dos 40%, rombo fiscal crescente e pressão internacional sobre Alexandre de Moraes, Zema lançou uma nova narrativa:
“Esse governo não entrega nada, a não ser inflação, aumento de juros, de impostos e eventos demais. Toda hora é só anúncio e nada de entrega.”
Para ele, o Brasil caminha para o precipício. E essa visão parece cada vez mais compartilhada por milhões de brasileiros, que não veem resultados reais nas ruas, mas sentem na conta de luz, no preço da gasolina e nos impostos.
Zema também aproveitou para fazer um contraponto com seu próprio governo em Minas Gerais:
“Saímos da 22ª para a 1ª posição no ranking de transparência da CGU. Nenhum novo incentivo fiscal foi concedido por minha gestão.”
Ele disse que empresas foram atraídas com base em mecanismos já existentes, e que todos os voos realizados em aeronaves estaduais são divulgados publicamente, algo que não ocorria nas gestões anteriores.
Essa postura parece estar gerando respaldo entre eleitores cansados do populismo petista e da crise fiscal promovida pelo Planalto. E isso pode explicar por que Zema começa a aparecer com mais força nas pesquisas de intenção de voto.
O Plano de Quitação da Dívida de MG: Um Exemplo Que o Brasil Precisa Ver?
Outro ponto levantado por Zema foi o desafio de lidar com a dívida de Minas Gerais com a União, que ultrapassa R$ 175 bilhões.
Seu plano é claro:
“Queremos quitar 20% da dívida com a União entregando imóveis e ativos do estado. A União terá um cardápio muito grande de bens para escolher, superando o valor necessário.”
A proposta prevê reduzir a taxa de juros da dívida em até 3% ao ano, o que ajudaria o estado a equilibrar suas contas. O detalhe é que esse modelo não envolve novos impostos ou cortes brutais de investimentos sociais algo que Lula e Haddad têm feito com frequência.
Se esse plano funcionar, ele pode virar referência nacional. E pior: se Zema fizer isso em MG, quem vai querer continuar apoiando Lula no resto do país?
Zema, Bolsonaro e a Nova Direita: Uma Aliança Possível, Mas Frágil
Apesar de afirmar que Bolsonaro continua sendo a principal liderança da direita, Zema evitou firmar compromisso com eventuais candidaturas de Michelle ou dos filhos do ex-presidente, dizendo:
“É uma situação um tanto quanto diferente. É difícil opinar nesse momento.”
Isso mostra que ele entende a realidade eleitoral complexa da direita: não é só questão de ideologia é de viabilidade jurídica, aceitação popular e apoio parlamentar.
E isso também revela algo crucial: a direita está disposta a tudo para derrotar Lula, mas ainda não definiu qual caminho seguir.
Zema sabe disso. E talvez seja por isso que ele esteja apostando alto no discurso de reforma tributária, contenção de gastos e liberdade econômica. Porque enquanto Lula fala de taxar os ricos, Zema age mostrando que é possível governar com responsabilidade fiscal e sem perder apoio popular.
Por Que Zema Está Falando Isso Agora?
Com dois anos até 2026, o cenário político-jurídico do Brasil começa a se moldar. A direita busca unidade. A esquerda, desesperadamente, tenta manter Lula acima de 50% de desaprovação.
Será Que Zema Tem Realmente Chance Contra Lula?
As pesquisas recentes não são conclusivas, mas já mostram algo interessante: Zema tem cerca de 22% das intenções de voto, atrás de Michelle Bolsonaro (49%) e Tarcísio de Freitas (47%), mas bem à frente de Luiz Henrique Mandetta (30%) e Arthur Virgílio (20%).
E embora ele tenha sido criticado por setores da esquerda como "neoliberal", sua imagem de gestor eficiente começa a ressoar fora do círculo ideológico, especialmente entre eleitores que buscam saída da polarização e um projeto de país menos estatista.
Além disso, ele evita ataques pessoais e mantém o foco em soluções reais para a economia, algo que contrasta diretamente com Lula, que insiste em brigar com plataformas digitais, enquanto o INSS sangra e a Petrobras afunda.
Zema Desafia a Esquerda Num Momento Crucial
Com a popularidade de Lula em queda, e a direita buscando alternativas viáveis, Romeu Zema aparece como uma nova face: a de um governador que fala de forma racional, pragmática e transparente, e que já começa a ganhar espaço na corrida presidencial.
Ele não é bolsonarista fanático. Não é radical. Não é autoritário. Ele é um político que entende que o Brasil não aguenta mais discursos inflamados e decisões ilegais emanadas do Supremo Tribunal Federal.
E, ironicamente, justamente por isso, ele começa a atrair atenção de quem nunca imaginaria votar nele antes.

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