"Mulher Que Gritou 'Lula Ladrão' Vira Alvo da PF: Quando o Discurso Político Vira Crime no Brasil"


Ela não era político. Não tinha cargo público. Não fazia parte de movimentos organizados. Era uma mulher comum, dona de casa, que passou pela residência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo, e gritou “Lula ladrão” pelo megafone de seu carro.


Foi o suficiente para que a Polícia Federal fosse acionada. E foi o suficiente para que o ministro Ricardo Lewandowski determinasse uma investigação formal contra ela, sob acusação de crime contra a honra do chefe do Executivo.


“Será que estamos vivendo num país onde falar palavras de ordem em alto e bom som vira motivo de inquérito policial?” 


O Que Aconteceu Exatamente?

Em meados de abril, Lula estava em sua casa no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo, acompanhado por dois agentes da segurança. Nesse momento, uma mulher dirigia pela região e usou um megafone para gritar “Lula ladrão”, algo ouvido por moradores próximos.


Os policiais federais que estavam com o presidente fotografaram a placa do veículo e seguiram com ele até o heliponto. Depois disso, seguiram até o endereço da mulher para ouvi-la sobre o ocorrido.


Ela compareceu espontaneamente à PF e afirmou ter agido por impulso:


“Fui tomada por um impulso irracional. Não cheguei a ver o presidente e nem imaginei que isso fosse dar problema.” 


Ela também disse se arrepender profundamente do ato. Mas mesmo assim, sua voz virou alvo do Estado brasileiro.


Por Que Isso É Tão Grave?

A legislação brasileira prevê punição para crimes contra a honra calúnia, difamação e injúria. Só que há uma diferença crucial: esses crimes são tipificados como de menor potencial ofensivo, ou seja, não costumam ser tratados com tanta urgência quando envolvem cidadãos comuns.


No entanto, quando a vítima é uma autoridade especialmente o presidente da República as penas podem subir de três meses para até quatro anos de reclusão.


Isso levantou uma nova onda de críticas, inclusive do senador Sergio Moro, que chamou a decisão de absurda:


“Ridículo o Ministro Lewandowski colocar a PF para apurar suposto crime praticado por uma mulher que gritou ‘Lula ladrão’. O Governo Lula não esconde o desejo de calar o cidadão comum e de usar a PF como polícia política. Cadê os ‘defensores’ da democracia?” 


Moro tem razão em questionar. Por quê?


Porque quando você usa a máquina estatal para perseguir quem discorda, você começa a construir um ambiente de medo, onde ninguém mais ousará criticar o poder sem sentir que está correndo risco real de prisão.


Quando o Discurso de Protesto Vira Alvo do Estado

A grande questão aqui não é só jurídica é simbólica. Uma pessoa comum, sem mandato, sem plataforma nacional, apenas expressou opinião política em voz alta.


Não houve ameaça direta.

Não houve invasão de privacidade.

Nenhum dano físico ou material foi causado.


Mesmo assim, ela virou objeto de investigação federal, e pode enfrentar processo criminal por causa de uma frase solta na rua.


Essa abordagem pode abrir precedentes perigosos para qualquer cidadão que critique o governo nas ruas, seja com cartazes, faixas ou simples palavras ditas durante um protesto individual.


Então surge a pergunta inevitável:


Se hoje uma mulher é investigada por dizer “Lula ladrão”, amanhã alguém será preso por escrever “Fora Lula” no muro da própria casa?


O caso da mulher que xingou Lula publicamente entra numa linha tênue entre liberdade de expressão e crime de injúria. Só que essa linha parece estar cada vez mais distorcida no Brasil de 2025.


Será Que Estamos Assistindo ao Fim da Crítica Livre no Brasil?

A decisão de Lewandowski gera outro debate importante: será que o Brasil ainda permite crítica ao poder? Ou qualquer descontentamento popular agora vai virar inquérito da PF?


Essa não é a primeira vez que o Estado reage com força a palavras soltas. Em outras ocasiões, cidadãos foram investigados por postagens em redes sociais, vídeos em que aparecem manifestando opinião contrária ao governo ou até por piadas em grupos de WhatsApp.


E pior: muitos desses casos partem de decisões monocráticas do STF, onde ministros como Alexandre de Moraes têm usado a toga como escudo ideológico.


Um País Onde Qualquer Palavra Pode Ser Monitorada

O caso da mulher que gritou “Lula ladrão” pode parecer isolado. Mas ele reflete algo maior: o aumento da pressão sobre o cidadão comum, aquele que não tem conta no exterior, não tem proteção jurídica internacional, e vive dentro das fronteiras do Brasil.


Será que estamos caminhando para um Brasil onde nenhuma crítica é permitida?


Será que o Estado Democrático de Direito está sendo substituído por uma ditadura da caneta preta e da ordem ilegal? 

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