Zambelli Pode Estar Protegida na Itália, Mas Não Está "Intocável", Diz Embaixador


A deputada federal Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a mais de dez anos de prisão por envolvimento em uma suposta invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Depois da decisão, ela deixou o Brasil e se refugiou primeiro nos Estados Unidos e depois na Itália, onde tem dupla cidadania.


O embaixador brasileiro na Itália, Renato Mosca, afirmou que a polícia italiana não pode fazer operações para prender Zambelli dentro de casa ou lugares privados, já que não há mandado de busca expedido localmente. A prisão só poderia acontecer se ela estivesse em local público, como um aeroporto ou rua movimentada.


“Mesmo que saibamos onde ela está, a polícia italiana não pode entrar num imóvel para prendê-la. Ela precisa ser pega em um lugar aberto. Isso complica, mas não impossibilita a prisão”, explicou Mosca em entrevista à Folha de S. Paulo.


Zambelli entrou na Itália com seu passaporte italiano antes que o pedido de prisão internacional feito pela Polícia Federal brasileira chegasse à Interpol. Por isso, ela não teve problema ao desembarcar no aeroporto de Roma.


Brasil tenta extradição, mas processo é lento

De acordo com o embaixador, as autoridades brasileiras estão em contato direto com as italianas para acompanhar o caso. Um adido da Polícia Federal no país e a própria embaixada ajudam nessa ponte entre os governos.


Mosca lembra que, apesar da cidadania italiana, ninguém está acima da lei. Ele destacou que a Itália já extraditou pessoas com dupla nacionalidade, inclusive brasileiros, e que a Constituição italiana permite esse tipo de medida desde que haja tratados internacionais entre os países — e o Brasil e a Itália têm um acordo válido desde os anos 1990.


“Temos 14 processos de extradição em andamento na Itália desde 2024, e quatro são de pessoas com dupla cidadania. Neste ano, já extraditamos um brasileiro com passaporte italiano. Cidadania não torna ninguém intocável”, disse o embaixador.


Ele acredita que, embora o processo possa demorar meses, o caso de Zambelli pode ter um desfecho positivo, baseado nas provas e no cumprimento da lei, e não por interesses políticos.


Apesar disso, o embaixador alerta que a extradição depende de análises jurídicas e políticas, o que torna tudo mais lento. Além disso, Carla Zambelli deve tentar apoio político de figuras conservadoras europeias, incluindo a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.


Mesmo assim, Mosca acredita que a ideologia ou afinidade política não vai interferir na decisão final: “Não vejo relação entre um governo que combate o crime e alguém condenado por crimes cibernéticos. Esses tipos de crime são levados muito a sério na Itália.”


Carla Zambelli pode ter achado que a cidadania italiana seria uma espécie de “proteção” contra a prisão no Brasil, mas o processo mostra que ela ainda pode enfrentar consequências legais no exterior. Embora a prisão em solo italiano tenha dificuldades práticas, como a necessidade de pegá-la em local público, o caminho para a extradição existe e já foi usado antes. O caso agora depende das autoridades italianas e do tempo que o processo legal levará. Para o cidadão comum, o episódio ilustra como a justiça internacional funciona devagar, mas nem sempre deixa as pessoas escaparem para sempre.

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