O ex-ministro e ex-candidato à Presidência Ciro Gomes disse em um vídeo publicado nas redes sociais que está sendo perseguido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Ele é alvo de uma ação movida pelo governo federal por meio da Advocacia-Geral da União, o que motivou sua reação.
Ciro chamou Lula de “covarde” por estar usando a Justiça para tentar responsabilizá-lo por críticas públicas sobre supostos atos de corrupção no governo.
“O governo virou um negócio que lucra com a pobreza do povo e agora quer calar quem denuncia isso! Eu não tenho medo nem estou preso a ninguém. Meu compromisso é com o povo brasileiro, por quem vou lutar até meu último dia”, afirmou Ciro.
Ação da AGU contra Ciro
No mês passado, a AGU entrou com uma ação na Justiça Federal no Ceará pedindo explicações de Ciro sobre declarações feitas por ele nas redes sociais — especialmente em um vídeo publicado em março, onde ele falava sobre o programa "Crédito do Trabalhador".
Na petição, a AGU afirma que Ciro teria insinuado, sem provas, que o presidente teria recebido propina para lançar esse programa do governo. O órgão aponta que o ex-candidato teria cometido ofensas ao sugerir envolvimento de Lula com corrupção e peculato (que é quando alguém se apropria de bens ou recursos públicos).
“Ciro fez insinuações falsas, dando a entender que o presidente teria ganho dinheiro ilegalmente como parte da criação do ‘Crédito do Trabalhador’”, diz trecho do documento da AGU.
No vídeo, Ciro disse:
“Fico pensando quanto essa negociata deve ter custado. Vocês acham exagero? É porque não sabem como surgiu o mensalão. Foi gente do Lula vendendo os dados dos aposentados do INSS para o Banco Rural.”
A AGU pede que Ciro esclareça essas declarações e explique melhor o que quis dizer, para que a Justiça possa avaliar se houve ou não crime de calúnia ou injúria.
Ciro rebate e fala em "lawfare"
Nas redes sociais, Ciro respondeu à ação e acusou o presidente de usar o Judiciário para perseguir politicamente seus adversários — prática conhecida como "lawfare" .
“Nos últimos anos, eu tenho sofrido com vários processos injustos, movidos por políticos que defendem os agiotas que exploram o povo. Mas agora foi o próprio presidente que resolveu entrar nessa, usando o poder do cargo para me calar. E tudo isso do alto de sua covardia”, disse Ciro.
Ele negou ter cometido qualquer ofensa e explicou que suas palavras foram críticas às políticas econômicas do governo, baseadas em fatos. “Eu não ofendi ninguém. Apenas critiquei medidas que considero prejudicar o trabalhador. São os fatos que incomodaram o presidente.”
Ao final do vídeo, Ciro voltou a criticar o modelo econômico do governo e garantiu que não vai se calar:
“A pobreza virou negócio para o governo de Lula e seus aliados nos bancos. Não tenho medo, não quero mais cargos e vou continuar lutando pelo povo até meu último dia.”
A polêmica entre Ciro Gomes e o governo Lula mostra como o clima político no Brasil continua aquecido. Após a ação da AGU contra o ex-candidato, Ciro usou suas redes sociais para acusar o presidente de perseguição e de usar a Justiça como arma política. Mesmo afirmando que não pretende disputar mais cargos, ele deixou claro que continuará fazendo críticas ao governo, especialmente às políticas econômicas que considera prejudiciais aos trabalhadores. O caso levanta novamente discussões sobre o limite entre crítica política e ofensa pública, além do uso das instituições contra opositores.

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